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Hypermarcas anuncia venda de divisão de preservativos por R$ 675 milhões

- Atualizado: 29 Janeiro 2016 | 23h 00

Aquisição foi feita pela subsidiária brasileira da Reckitt Benckiser, fabricante de produtos de limpeza como Veja e Vanish; dona das marcas de camisinhas Jontex e Olla, Hypermarcas está se desfazendo de ativos para se concentrar em medicamentos

A Hypermarcas anunciou nesta sexta-feira, 29, a venda de sua divisão de preservativos, que reúne marcas como Jontex, Olla e Lovetex, para a subsidiária brasileira da Reckitt Benckiser, fabricante de produtos de limpeza como Veja e Vanish, por R$ 675 milhões. O negócio é parte do esforço da companhia para fazer caixa e se concentrar na produção de medicamentos. Sem dívida e com dinheiro, a empresa fundada por João Alves de Queiroz Filho já planeja, segundo fontes, retomar aquisições – mas, desta vez, com foco no segmento de farmacêutico.

Em novembro do ano passado, a Hypermarcas deu seu maior passo nessa direção ao se desfazer da divisão de cosméticos para a gigante multinacional Coty e embolsar R$ 3,8 bilhões, que foram usados para zerar a dívida líquida da empresa.

Em 2013, companhia criou em Anápolis (GO) um complexo industrial para reunir suas operações de medicamentos
Em 2013, companhia criou em Anápolis (GO) um complexo industrial para reunir suas operações de medicamentos
O negócio anunciado ontem e o que foi fechado em novembro de 2015 têm um sobrenome em comum: o da família alemã Reimann. Eles são acionistas minoritários da Reckitt Benckiser no Brasil e também da Coty, que passaram a controlar no início da década de 1990, quando compraram a fabricante de cosméticos dos fundadores franceses. O químico Ludwig Reimann foi sócio de Johann Adam Benckiser, casou com uma de suas filhas e acabou ficando com a empresa do colega.

Com faturamento de 6,5 bilhões de libras entre janeiro e setembro de 2015, a Reckitt Benckiser tem entre suas principais marcas o inseticida SBP, os produtos de limpeza Veja e Vanish, o preservativo Durex, o lubrificante KY e o produto de depilação caseira Veet. A área de saúde, que reúne as marcas de preservativos, representa 32% da receita do grupo, atrás apenas do segmento de higiene.

A negociação com a Hypermarcas vinha sendo costurada desde novembro, quando foi anunciada a transação com a Coty. Agora, segundo fontes próximas à operação, o grupo brasileiro tenta vender as divisões de fraldas e a de adoçantes. Juntas, essas duas áreas podem engordar o caixa em mais R$ 3 bilhões. Os ativos, no entanto, estão sendo oferecidos separadamente.

O segmento de fraldas, que inclui marcas como Sapeka e Plim Plim, estaria sendo negociado com a Kimberly-Clark e com a sueca Ontex, segundo fontes. A empresa contratou os bancos Bradesco, Citibank e Bank of America Merrill Lynch para conduzir a negociação. A divisão de adoçantes está em uma fase anterior da transação. Os bancos ainda não foram contratados. “Mas é uma área muito atrativa dentro da companhia, já que a Hypermarcas é líder do segmento com a marca Finn”, diz uma fonte próxima à empresa.

Com o caixa reforçado, o grupo se prepara para fazer uma grande aquisição no segmento farmacêutico. “No passado, a empresa chegou a conversar com a rival Aché, e essas conversas podem ser retomadas”, diz a fonte. Conhecida por ser uma máquina de compras, a empresa está se desfazendo desde 2011 de todos os seus negócios que não são considerados estratégicos, para se concentrar em medicamentos. Há cinco anos, a Hypermarcas vendeu a divisão de higiene e alimentos. E, no ano passado, a de cosméticos.

A transação com a Coty teve como principal objetivo redução da dívida líquida, que estava em R$ 3,3 bilhões. Com a venda para a Reckitt Benckiser, a empresa passa a ter um caixa líquido de R$ 1,2 bilhão – o que significa fôlego para fazer aquisições.

Compras. Nos últimos dois anos, a Hypermarcas avançou sobre a vice líder de mercado Medley, que pertence ao grupo francês Sanofi, e agora briga de igual para igual com a brasileira EMS, líder em medicamentos genéricos. Se as negociações com Aché forem adiante, a Hypermarcas passa a expandir seus portfólio de medicamentos no segmento de prescrição médica.

A empresa também anunciou a compra de 100% da farmacêutica Neolatina por R$ 60 milhões por meio de sua subsidiária Brainfarma. O negócio inclui a fábrica e o terreno da Neolatina em Anápolis (GO), que é adjacente à fábrica da Hypermarcas. A Neolatina tinha como acionistas os membros da família Limírio, que integra o bloco de controle da Hypermarcas. / COLABOROU MARINA GAZZONI

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