Eduardo Monteiro/Divulgação
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IBGE e Conab elevam estimativas para a safra de grãos este ano

Colheita recorde é impulsionada por boas condições climáticas; produção de soja será 19,5% maior este ano

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 12h57

RIO - O País colherá uma safra recorde de 114,8 milhões de toneladas de soja, aumento de 0,8% em relação ao previsto no mês anterior, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de junho, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).  A produção nacional de soja será 19,5% maior este ano em comparação com a obtida em 2016. A área colhida com a oleaginosa aumentou em 2,3%. O milho deve registrar um salto de 53,5% na produção em 2017, com aumento de 17,7% na área. Já o arroz terá crescimento de 14,9% na produção, e elevação de 3,6% na área a ser colhida.

O arroz, o milho e a soja são os três principais produtos agrícolas do País, responsáveis por 93,5% da estimativa da produção brasileira em 2017 e 87,8% da área a ser colhida.

Também a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), espera que a safra brasileira de grãos 2016/17 alcance 237,22 milhões de toneladas, o que corresponde a um aumento de 27,1% (ou 50,6 milhões de toneladas), em comparação com as 186,6 milhões de t da safra anterior 2015/16. Os dados foram divulgados na 10ª estimativa do órgão.

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Quanto aos números do IBGE, o crescimento se deve aos reajustes de final de colheita na Bahia (7,9%, 381.600 toneladas a mais), Paraná (0,4%, acréscimo de 81.737 toneladas), Santa Catarina (4,4%, mais 101.422 toneladas), Mato Grosso do Sul (3,0%, aumento de 258.632 toneladas) e Goiás (0,2%, crescimento de 22.769 toneladas). 

A produção nacional de soja será ainda maior do que o estimado em maio, assim como a produção de milho. A safra de soja será 0,8% superior ao previsto anteriormente, enquanto que o milho cresceu 0,7%. A produção de milho de primeira safra encolheu 0,4%, mas a segunda safra aumentou 1,3%.

Os demais avanços registrados na passagem de maio para junho foram no amendoim primeira safra (26,2%), cebola (5,7%), batata-inglesa segunda safra (4,5%), batata-inglesa terceira safra (2,3%) e batata-inglesa primeira safra (1,6%).

Na direção oposta, houve redução nas estimativas para o feijão terceira safra (-1,4%), feijão segunda safra (-3,9%) e amendoim segunda safra (-54,3%).

Clima. O desempenho da produção brasileira de grãos, classificada pela Conab como supersafra, deve-se às condições climáticas favoráveis e ao aumento da produtividade média de todas as culturas, com destaque para soja e milho, que tiveram alto nível de aplicação tecnológica. A produtividade da soja subiu de 2.870 kg/ha para 3.362 kg/ha na atual safra e a do milho total, de 4.178 kg/ha para 5.522 kg/ha.

O bom desempenho também é resultado de uma pequena ampliação de área de 3,9%. A soma de todas as culturas pode atingir 60,6 milhões de hectares, frente aos 58,3 milhões de hectares da safra 2015/2016.

Os números da produção e área da soja permanecem os mesmos em relação ao levantamento anterior, de junho. A produção da oleaginosa deve crescer 19,4%, para 113,93 milhões de toneladas, com ampliação de 1,9% na área plantada estimada em 33,9 milhões de hectares.

Quanto ao milho total, a produção deve alcançar 96 milhões de toneladas, 44,3% acima da safra 2015/2016. A previsão é de 30,4 milhões de toneladas para a primeira safra e de 65,6 milhões para a segunda. A área total deve alcançar 17,4 milhões de hectares, com um crescimento de 9,2%. As duas culturas respondem por 88,5% dos grãos produzidos no País, segundo a Conab.

A produção e a área do feijão total também ficaram próximas dos números do levantamento anterior, devendo atingir 3,4 milhões de toneladas, numa área de 3,1 milhões de hectares. O feijão primeira safra, que já está colhido, deve atingir produção de 1,39 milhão de toneladas, resultado 34,3% superior ao produzido em 2015/2016. Já a segunda safra deve alcançar 1,24 milhão de toneladas, sendo 613,8 mil toneladas do grão cores, 187 mil toneladas do preto e 439,6 mil toneladas do feijão caupi. A terceira safra de feijão deve alcançar 735,1 mil t, o que corresponde a um aumento de 29,7% ante a safra anterior.

No caso do algodão pluma, o crescimento é de 15,2%, podendo alcançar 1,48 milhão de toneladas, ou aumento de 15,2% sobre a safra anterior (406,1 mil t). A área cultivada deve diminuir 1,7%.

Com relação às culturas de inverno, em fase de plantio, a previsão da Conab é de queda de 9,6% na área com trigo, podendo chegar a 1,93 milhão de hectares em comparação com 2,1 milhões de hectares da safra passada. A produção, com isso, deve recuar 17,1%, para 5,58 milhões de toneladas frente às 6,73 milhões de t de 2016.

Ao contrário do trigo, a aveia deve ter a área elevada em 15,3%, podendo alcançar 336 mil hectares, com uma produção estimada em 835,3 mil toneladas, mais 0,9% ante a safra anterior (827,8 mil t).

A pesquisa foi realizada no período de 18 a 24 de junho em todas as regiões produtoras, quando foram consultadas diversas instituições e informantes cadastrados em todo o País.

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