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Ibmec: mercado mostra aceitar possível troca de governo

CARLA ARAÚJO - Agencia Estado

27 Março 2014 | 14h 33

A queda na aprovação do governo Dilma Rousseff apontada na pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta quinta-feira, 27, é a primeira representação da insatisfação da opinião pública com a gestão do governo federal e se alinha às impressões do mercado financeiro, que já vinha demonstrando reprovação do executivo há algum tempo. A avaliação é do professor de macroeconomia do Ibmec, Márcio Salvato, para quem é natural a reação positiva dos ativos domésticos após o resultado da pesquisa.

"Se eu fosse um investidor estaria preocupado com qualquer coisa que afetasse a minha rentabilidade. E o cenário com a Dilma é ruim. Então, qualquer possibilidade de ela não ser reeleita eu vou reagir bem", explica Salvato.

O levantamento que mostrou queda na avaliação positiva do governo petista, de 43% para 36% e pouco tempo depois, a valorização de papéis de estatais se intensificou com a zeragem de posições vendidas, de acordo com profissionais do mercado. "Os investidores têm um conhecimento maior da conjuntura econômica e a maioria não é exatamente o eleitor da Dilma."

Assim, diz Salvato, o mercado mostra ânimo ao identificar nessa pesquisa a primeira sinalização de que o eleitor da Dilma também está insatisfeito. "Ela não estava sendo mal avaliada pelo seu eleitor a despeito de problemas como a inflação, por exemplo. Agora, com essa avaliação negativa, o mercado acredita que aumenta a possibilidade de um outro candidato, com outra plataforma e discurso, se viabilizar", diz.

A mostra da CNI/Ibope foi realizada entre os dias 14 e 17 deste mês, dois dias antes de o jornal O Estado de S.Paulo revelar que Dilma deu o aval, em 2006, quando ocupava a Casa Civil e presidia o Conselho de Administração da Petrobras, para a compra da refinaria de Pasadena, um negócio que resultou em prejuízo de mais de US$ 1 bilhão à estatal brasileira.

Para o professor, esse noticiário negativo tente a piorar ainda mais a situação de Dilma. "Neste caso da Petrobras, a figura da Dilma está diretamente envolvida e isso deve sim atingir o seu eleitorado. O eleitor da Dilma acredita no partido e nela, então qualquer notícia que manche sua imagem afeta o eleitorado", acredita.

Salvato destaca ainda que a iniciativa de criação de uma CPI para investigar o caso Pasadena vai ampliar ainda mais a exposição de Dilma a notícias negativas. "E a possibilidade de novas quedas na avaliação da presidente faz com que o mercado comece a precificar, acreditando em melhoria de rentabilidade futura", reforçou.

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