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Idosos são grupo que mais cresce no Facebook

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2014 | 02h 04

Participação de usuários acima de 65 anos cresceu 10% em 2013 nos Estados Unidos

Quando Mark Zuckerberg criou o Facebook enquanto estudava em Harvard, provavelmente, não imaginava a terceira idade como o principal nicho de mercado de sua plataforma. Mas, quase uma década depois, o futuro dessa rede social depende cada vez mais de sua adoção entre os idosos.

Em 2013, os maiores de 65 anos foram o grupo que mais cresceu na maioria das redes sociais nos Estados Unidos, incluindo Facebook e Twitter, aumento que contrasta com uma leve diminuição no número de usuários mais jovens, segundo um levantamento recente do Centro de Pesquisas Pew. Agora, portanto, os jovens não só compartilham o espaço virtual com seus pais e tios, mas também com seus avós.

A pesquisa revela que, embora o Facebook continue reinando entre as redes, seu alcance é tão grande que começa a chegar ao limite. Além disso, um crescente número de usuários já divide seu tempo entre várias redes sociais.

Segundo o Pew, 71% dos internautas americanos têm um perfil no Facebook, representando 4% a mais em relação ao fim de 2012. Mas esse aumento se deve unicamente aos maiores de 30 anos e, sobretudo, à sua expansão entre os maiores de 65 anos.

A porcentagem de usuários maiores de 65 anos na rede criada por Zuckerberg nos EUA cresceu 10% no último ano, e o site já alcança 45% dos que usam a internet com essa idade.

Menos jovens. O aumento contrasta com a redução de 2% (86% em 2012 para 84% em 2013) dos usuários entre 18 e 29 anos. Outro estudo divulgado esta semana, da consultoria iStrategy, indicou queda entre usuários do ensino médio e do ensino superior nos Estados Unidos. Entre 2011 e 2014, a rede social perdeu cerca de 11 milhões de usuários jovens.

Embora os jovens ainda sejam, de longe, os principais usuários das redes sociais, os números não mentem: o potencial de crescimento é muito maior na terceira idade.

"A demografia das audiências das redes sociais pode mudar ao longo do tempo e, como em qualquer negócio, as redes que mudam com elas prosperarão", afirmou Tammy Gordon, vice-presidente da Associação Americana de Aposentados.

Novos hábitos. Thomas Kamber, diretor e fundador do Older Adults Technology Services (OATS, ou Serviços de Tecnologia para Idosos), se queixou que as empresas do setor só pensam nos jovens. "É uma pena, porque são os mais velhos que provam a qualidade de seus produtos. Se funciona para os idosos, funciona para todos", afirmou Kamber.

Tammy destacou que a terceira idade utiliza smartphones e tablets, joga videogames e compra pela internet igual aos jovens. Além disso, recorre às redes sociais para manter contato com parentes e amigos.

O interesse crescente das pessoas mais velhas pela tecnologia se deu "nos últimos dois ou três anos", segundo Kamber, que há dez anos fundou uma organização que oferece aulas de informática para aposentados em Nova York.

Para Kamber, esse fenômeno pode ser atribuído ao fato de que os idosos dispõem hoje de suficientes noções de informática e têm muita vontade de se manter ativos. "Eles querem se envolver no mundo. A tecnologia é uma forma de conseguir isso. Estão pedindo mais participação na sociedade digital. Além disso, há três anos quase nenhum aposentado sabia utilizar um computador. Agora, sim. E estar no Facebook é o passo seguinte", afirmou o diretor da OATS. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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