Imóveis populares aliviam a crise do setor

Os dados de junho da Abrainc confirmam os de maio: a tendência é de recuperação da produção e das vendas de imóveis destinados aos estratos de menor renda

O Estado de S.Paulo

30 Agosto 2017 | 03h00

Entre os segundos trimestres de 2016 e 2017, os lançamentos de imóveis cresceram 3,9% e as vendas de unidades novas aumentaram 5%, segundo a última edição dos Indicadores Abrainc/Fipe. Os números foram coletados nas empresas associadas da Abrainc, entidade que reúne as maiores incorporadoras de imóveis do País. Não podem, portanto, ser comparados a outros levantamentos, como os do sindicato da habitação (SecoviSP).

Os dados de junho da Abrainc confirmam os de maio: a tendência é de recuperação da produção e das vendas de imóveis destinados aos estratos de menor renda, beneficiados por programas de habitação social, como o Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Ao mesmo tempo, não se evidencia recuperação dos lançamentos e das vendas de unidades destinadas às faixas mais elevadas, incluídas na classificação MAP (médio e alto padrão).

O número de lançamentos do programa MCMV aumentou 12,3% entre os primeiros semestres de 2016 e 2017 e as vendas cresceram ainda mais rapidamente. No MAP, a queda dos lançamentos chegou a 15,9% nos últimos 12 meses, até junho, acentuando-se na comparação entre os primeiros semestres de 2016 e 2017.

O maior problema nas vendas de unidades de alto e médio padrão continua sendo o do volume de distratos, ou seja, de denúncia pelos compradores dos contratos de aquisição de imóvel na planta. Nos últimos 12 meses, até junho, foram registrados 39,8 mil distratos, dos quais 17,8 mil no primeiro semestre deste ano. O assunto está em discussão nos âmbitos do Executivo e do Legislativo, sem que se tenha chegado a uma solução que atenda, simultaneamente, incorporadores e consumidores.

O mercado imobiliário depende da oferta de recursos, que foi beneficiada pelo melhor comportamento das cadernetas, do emprego e do poder aquisitivo dos compradores. Quanto à renda, é possível alimentar algum otimismo, pois a manutenção da inflação em níveis baixos preserva melhor o poder de compra dos salários, ao mesmo tempo que se verifica alguma melhora na oferta de emprego.

Tão ou mais importante será o efeito da competição que se esboça entre os bancos privados e entre estes e a Caixa Econômica Federal, para atrair clientes para o crédito imobiliário, com a oferta de taxas de juros mais baixas.

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