Inadimplência cai e melhora clima para negócios

O crescimento, porém, pode ser decorrência natural do aumento do número de consumidores que foram às compras no trimestre, e não a indicação de uma tendência

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2017 | 03h00

Pode causar certa preocupação a constatação, pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) – em pesquisa feita em parceria com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) –, de que, de janeiro a março, mais 900 mil pessoas físicas passaram a integrar a lista de inadimplentes, elevando para 59,2 milhões o número de consumidores brasileiros com pagamentos em atraso, 1,5% mais do que o número de dezembro (58,3 milhões).

O crescimento, porém, pode ser decorrência natural do aumento do número de consumidores que foram às compras no trimestre, e não a indicação de uma tendência. Em março, por exemplo, o total de inadimplentes recuou 0,36% e o volume de dívidas apresentou queda de 4,42% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Como afirma Honório Pinheiro, presidente da CNDL, tem havido uma “desaceleração do crescimento da inadimplência desde o segundo trimestre de 2016, o que reflete tanto a recessão econômica, que reduziu a capacidade de compra das famílias, como a redução da tomada de crédito por parte dos consumidores e sua propensão a consumir”.

Os resultados da pesquisa do SPC/CNDL são muito próximos aos da pesquisa nacional da Boa Vista SCPC, que verificou um decréscimo de 3,5% na inadimplência em março em comparação com idêntico período de 2016. No acumulado do trimestre, a Boa Vista apurou queda de 4,4% em nível nacional.

Vale notar que, no acumulado de 12 meses até março, apenas na Região Norte a inadimplência aumentou (1,7%). No Nordeste, ficou estável, tendo caído no Centro-Oeste (0,2%), no Sul (4,8%) e mais pronunciadamente no Sudeste (5,5%). No período anual, houve diminuição de 3,6%.

Apesar da melhora no ambiente de negócios, ainda há motivos para cautela, principalmente por parte dos bancos, que concentram 48,9% do total dos compromissos em atraso, o que os tem levado a conter os financiamentos ao consumidor. O peso sobre o comércio é também considerável, com 20,05% dos débitos pendentes, ficando os serviços de comunicação com 13,09%.

A expectativa, porém, é de que com a retomada gradual da economia, favorecida pela redução da inflação e das taxas de juros, a inadimplência prossiga em rota de baixa, permitindo destravar o crédito ao consumo.

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