Índia critica ricos e diz que Doha visa desenvolvimento

O ministro indiano de Indústria e Comércio, Kamal Nath, acusou nesta terça-feira a União Européia (UE) e os Estados Unidos, assim como os outros países ricos, de não reconhecerem que a agenda de Doha é uma rodada de negociações comerciais a favor do desenvolvimento. A declaração foi feita ao término de uma entrevista em Genebra com o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy. Nath afirmou que gostaria se ver essas mesmas melhoras por parte de UE e Estados Unidos. "O que a Índia já fez deve ser considerado", disse. As atuais negociações da Rodada de Doha, iniciadas há quase cinco anos, avançam a um ritmo muito lento devido às divergências sobre agricultura e acesso a mercados de bens industriais entre os países ricos e os que estão em desenvolvimento. Enquanto as economias em desenvolvimento pedem a UE e aos Estados Unidos maiores concessões em agricultura, este grupo de Estados ricos quer em troca que os grandes países emergentes, como o Brasil e a Índia, abram mais seus mercados de bens industriais. As enormes divergências nesses dois aspectos chave da negociação comercial, cuja conclusão está prevista para o fim de 2006, fez os países abandonarem o objetivo de ter preparadas em 30 de abril as fórmulas e modalidades para aprofundar a liberalização do comércio desses bens. Compromisso Nath lembrou que em 23 de março escreveu uma carta a seus homólogos de UE, EUA, Austrália e Japão, com cópia para os responsáveis de comércio de países em desenvolvimento como Brasil, China e África do Sul, além do diretor-geral da OMC, na qual assinalava que os compromissos de cortes tarifários dos ricos devem ser superiores aos dos outros Estados. "Ainda não tive uma resposta à carta e faz mais de um mês", disse Nath, que insistiu que os países têm que se ater ao mandato de que esta rodada negociadora seja a favor do desenvolvimento. O ministro indiano expressou seu acordo com Lamy de que o atual processo negociador, uma vez descumprido o prazo previsto, tem que se intensificar e se realizar em Genebra. E acrescentou que "só quando houver progressos, poderá celebrar-se uma reunião ministerial". O diretor-geral da OMC, por sua parte, indicou na segunda-feira que, embora os prazos não tivessem sido cumpridos, as negociações não estão em ponto morto. Lamy pediu aos países que não caiam em recriminações entre eles, mas mantenham-se na determinação que devem ter para conseguir o êxito da rodada.

Agencia Estado,

25 Abril 2006 | 14h55

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.