PEDRO DANTHAS
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Indústria amplia gama de utilitários-esportivos de olho na rentabilidade

Projeção de vendas de 1 milhão de unidades ao ano e margem de lucro maior são atrativos na disputa pelo segmento

Cleide Silva, Impresso

15 Abril 2018 | 05h00

Fabricantes e consultorias preveem vendas de pouco mais de 1 milhão de utilitários-esportivos no mercado brasileiro em 2022, o equivalente a 30% dos negócios totais de automóveis e comerciais leves. Todas as montadoras preparam estratégias para disputar o filão, visto como um dos mais rentáveis no meio automotivo.

“Vai haver uma competição acirrada, pois é um mercado promissor”, constata o diretor da Roland Berger, Rodrigo Custódio. Segundo ele, a margem de ganhos nesse segmento é significativa pois, normalmente, os SUVs são produzidos nas mesmas plataformas (bases) desenvolvidas para automóveis.

É o que vai ocorrer, por exemplo, com o T-Cross, primeiro utilitário que a Volkswagen fará no Brasil no início de 2019, na fábrica do Paraná. O modelo será produzido na mesma plataforma do hatch Polo e do sedã Virtus, lançados recentemente.

O Ford EcoSport, que introduziu no País o conceito de SUV, em 2003, teve como base o Fiesta, o Honda HR-V o Fit e o Hyundai Creta o HB-20, para citar mais alguns exemplos.

A Volkswagen quer tirar o atraso da marca nesse segmento e promete ter cinco SUVs em seu portfólio num prazo de três anos. O primeiro a chegar ao mercado foi o Tiguan Allspace, de médio porte, lançado na semana passada. O modelo é importado do México e tem versões flex (com motores exportados pelo Brasil) e apenas a gasolina. Os preços vão de R$ 124,9 mil a R$ 180 mil.

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Aposta. O preço do compacto T-Cross deverá ficar na casa dos R$ 70 mil, já que terá entre seus concorrentes o Hyundai Creta e o Jeep Renegade. Depois virão o Tarek, feito na Argentina, o Atlas, importado dos Estados Unidos e talvez o Touareg, também importado. Mas há quem aposte em outro produto para o Brasil, provavelmente uma versão menor que o T-Cross.

“De cada dez carros vendidos no Brasil, dois são SUVs e, em 2022, serão três”, diz Pablo Di Si, presidente da Volkswagen América do Sul e Brasil, que admite que a marca demorou a entrar com força no segmento.

É com esses produtos e outros 15 lançamentos previstos ao longo de quatro anos que a montadora espera voltar a ser líder do mercado no País, posto perdido em 2001 após 42 anos à frente das demais marcas.

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A volta ao topo pode ocorrer ainda neste ano ou no próximo, mas o executivo ressalta que deverá ser de forma sustentável. “Se algum concorrente começar a fazer festival de promoções não vamos atrás, e podemos abrir mão da liderança.”

Na fila. A General Motors é outra marca que deve ter mais opções de SUV além do Tracker, importado do México, e da Trailblazer, fabricada em São José dos Campos. A marca promete novidades nesse segmento há alguns anos, e a data pode estar se aproximando, não necessariamente neste ano.

A Fiat Chrysler, segundo fontes do mercado, também trabalha em um utilitário menor que o Renegade e a Ford, por enquanto, aposta no novo EcoSport lançado no ano passado.

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Quem terá novidades ainda em 2018 é a Citroën, que iniciará a produção em Porto Real (RJ) do C4 Cactus. A Renault vai importar o Koleos, considerado um SUV de luxo, e promete o novo Duster para 2019.

O recém lançado Chery Tiggo também promete mexer no mercado, principalmente agora que a marca chinesa está sob comando do grupo Caoa – que produz em Goiás os modelos Tucson e ix35, da Hyundai.

Também há muitas novidades importadas, como o Kia Stonic, o novo Porsche Cayenne e o BMW X2.

 

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