Indústria critica Copom e destaca expectativa de corte maior

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou hoje, em nota, o corte de 0,50 ponto porcentual da Selic, a taxa básica de juros da economia, promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, não há explicação para o que ele considera "pífia redução", de 19% ao ano para 18,5%. "A Fiesp aguardava clara sinalização de alteração da velocidade de queda da Selic", afirma o líder empresarial em nota, opinando que a dimensão do corte demonstra "a existência de imenso fosso entre o pensamento do Banco Central e a filosofia dos setores produtivos". Skaf se disse decepcionado com o corte de 0,50 ponto porcentual porque "todas as variáveis macroeconômicas alinham-se com as metas", ao mesmo tempo que a produção industrial apresenta desaceleração de atividade. "Resta o consolo de que, com menos reuniões do Copom no ano novo, deverá reduzir-se proporcionalmente o número de decepções programadas para 2006", observa, referindo-se à diminuição prevista para o próximo ano para oito reuniões, ante as 12 atuais. Defesa de redução maior O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto, acompanha a crítica de Skaf e considera conservadora a decisão do Copom. Ele destaca que o BC perdeu oportunidade de promover uma redução "mais acentuada" da taxa. "A atividade econômica está desacelerada, o real está apreciado, e a inflação está sob controle. Essa é a janela de oportunidade para promover uma redução mais forte na taxa de juros." No entender do presidente da CNI, esse cenário permite uma queda de pelo menos um ponto percentual. Em nota distribuída há pouco, a CNI diz que, na avaliação dos seus técnicos, o corte de 0,5 ponto porcentual não surpreende, porque segue a linha "gradualista" do Banco Central. O diretor do Departamento de Economia do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Boris Tabacof, também criticou, em nota, o corte de 0,50 ponto porcentual da Selic. Segundo ele, as decisões do Copom "guardam pouca ou quase nenhuma relação com o lado real da economia". Na avaliação de Tabacof, a redução dos juros deveria ser "mais drástica", da ordem de 1 ponto porcentual, uma vez que há queda do nível de atividade industrial. "Tamanha renitência fará o PIB crescer menos de 3% este ano, como já indicam as previsões de algumas instituições do setor industrial e do financeiro. Para uma economia mundial que deverá crescer em torno de 4,5% em 2005, as previsões para o PIB brasileiro são motivo de desalento", opina. O dirigente reforça sua argumentação lembrando que a última pesquisa do Ciesp sobre emprego, em outubro, indica índice negativo de criação do postos de trabalho na indústria paulista.

Agencia Estado,

23 Novembro 2005 | 20h05

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