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Indústria reclama de falta de infraestrutura

A virtual paralisação dos investimentos em infraestrutura torna ainda mais grave a crise para setores que buscam reduzir custos e ganhar competitividade. Por isso, não chegam a surpreender os resultados da pesquisa sobre indicadores industriais há pouco divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com o aprofundamento da crise numa economia carente de infraestrutura, a indústria registrou, em 2015, queda no faturamento de 8,8% – próxima da aferida pelo IBGE, de 8,3% –, de 10,3% no número de horas trabalhadas e de 6,1% nos níveis de emprego, em comparação com 2014. Houve melhora de 0,2 ponto porcentual em dezembro em relação a novembro, mas, em média, 2015 fechou com 77,5% de utilização da capacidade instalada.

A entidade não faz previsões para o desempenho da indústria em 2016, mas demonstra preocupação com o aperto das contas públicas, o que limita os investimentos em infraestrutura e afeta a competitividade da indústria. Em 2015, nota a CNI, somente 10,77% dos recursos orçamentários federais foram destinados a investimentos, mas o que se verificou na prática é que os investimentos realmente realizados representaram apenas 2% do Produto Interno Bruto (PIB).

O que foi aplicado realmente em infraestrutura representa uma pequena parcela dessa exígua porcentagem, não passando de 0,45% do que foi orçado, equivalendo a 0,33% do PIB. Como a execução orçamentária deve ser ainda mais rígida em 2016, a entidade tem defendido a ampliação da gestão privada em vários setores da infraestrutura.

Este seria um importante passo para a recuperação da competitividade, considerando que a indústria ainda se ressente de um déficit histórico em infraestrutura. Reconhece-se que o Programa de Investimentos em Logística (PIL), lançado em 2012, tem permitido alguns avanços, como a adoção do modelo de outorga, mas o governo não tem tomado decisões com o senso de urgência que os industriais reclamam.

“A ampliação do programa anunciado pelo governo aponta na direção correta”, afirmou Robson Braga de Andrade, presidente da CNI. Ele advertiu, porém, que é preciso assegurar condições para a implantação dos programas de concessão e que os prazos sejam cumpridos.

O que se tem notado é que o governo, seja por temer a falta de investidores, seja por questões burocráticas, vem procrastinando leilões de concessão em diversas áreas.

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