Filipe Araujo/Estadão
Filipe Araujo/Estadão

Indústria vê ritmo mais lento no 2º trimestre

Dados da CNI mostram que o faturamento teve queda de 3,1% em abril, e ociosidade aumentou

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2017 | 22h13

No mesmo dia em que o IBGE divulgou que a atividade econômica voltou a crescer no primeiro trimestre, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) trouxe números mais pessimistas em relação a abril – o que indica um início de segundo trimestre mais titubeante.

A pesquisa Indicadores Industriais aponta que o faturamento real da indústria caiu 3,1% em abril comparado ao mês anterior, quando o indicador havia crescido 2,4%. As horas trabalhadas recuaram 1,3%, enquanto o emprego caiu 0,6%. Houve redução no uso da capacidade instalada, que passou de 77,1% para 76,5%, A massa salarial recuou 0,4%. Só o rendimento médio registrou alta de 0,5%, o segundo aumento mensal consecutivo, influenciado pelo recuo da inflação.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também viu redução do ritmo de atividade neste segundo trimestre, mas garante que o resultado continuará positivo no período. “O segundo trimestre não tem sido tão bom como o primeiro, mas o desempenho não deve ficar negativo. Esse é um trimestre para consolidar resultados”, afirma André Rebelo, assessor para assuntos estratégicos da presidência da Fiesp.

Segundo ele, no entanto, o desempenho tem sido bem diversificado nos vários setores da indústria. “Quem é intensivo em crédito, como máquinas e equipamentos, por exemplo, está tendo retomada mais lenta.”

Para a CNI, as bases para sustentar a retomada econômica são a continuidade da queda de juros e o avanço na aprovação das reformas trabalhista e da Previdência. “O País não pode parar em função da crise política. É necessário dar condições para que as empresas retomem investimentos, haja geração de empregos e as famílias brasileiras voltem a consumir”, diz a confederação.

O presidente da Volvo América do Sul, Wilson Lirmann, tem igual opinião: “É preciso uma solução rápida, e que seja mantida a agenda econômica proposta”. De janeiro a maio, as vendas de veículos cresceram 1,6% em relação ao mesmo período de 2016, somando 824,5 mil unidades. É a primeira vez em mais de três anos que o resultado acumulado fica positivo no comparativo anual. Só em maio, as vendas foram 16,8% superiores ao volume de um ano atrás. Em relação a abril, que teve menos dias úteis, a alta foi de 24,6%.

No comércio, os resultados sofreram o impacto da turbulência política causada pela delação dos donos e executivos do frigorífico JBS. “O consumidor tomou um susto”, afirma Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP). Dados sobre a confiança do consumidor, pesquisados em 10 e 25 de maio, mostram que houve queda de 2% no índice na cidade São Paulo. “O consumidor teve cautela para comprar depois das notícias”, diz Pina.

No agronegócio, a entressafra da soja pode afetar o resultado do segundo trimestre, mas a colheita de milho e algodão pode impulsionar os resultados do terceiro trimestre. “A criação de gado teve o susto da Operação Carne Fraca, a demanda está fraca pela economia e, para completar, teve a JBS. A carne é o patinho feio do setor agropecuário agora”, diz José Carlos Hausknecht, sócio da Consultoria MBAgro. / LORENNA RODRIGUES, RENÉE PEREIRA, CLEIDE SILVA, GABRIELY SOUZA DE ARAUJO E DOUGLAS GAVRAS

 

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