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Inflação de 2014 vai ser pressionada pelas tarifas

Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo

25 Dezembro 2013 | 22h 06

Variação dos preços administrados deve triplicar no ano que vem e, pelo quinto ano consecutivo, o IPCA deve ficar acima do centro da meta de 4,5% do BC

A inflação vai continuar sendo um problema para os brasileiros em 2014 e deve ficar acima do centro da meta estabelecida pelo Banco Central (BC) de 4,5% pelo quinto ano consecutivo. Previsões para 2014 de consultorias para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variam entre 5,7% e 6%, podendo superar esse teto por causa do comportamento do dólar. O Boletim Focus do BC, divulgado na segunda-feira, mostra que o mercado elevou de 5,95% para 5,97% a expectativa do IPCA para 2014.

O câmbio é apontado pelos economistas como principal fator de risco inflacionário para o ano que vem, especialmente depois que o Fed, o banco central americano, decidiu retirar os estímulos à economia dos Estados Unidos, reduzindo gradualmente as compras de títulos no mercado. Isso pode aumentar a volatilidade da cotação da moeda americana. E o maior fator de pressão para a inflação de 2014 é a alta dos preços administrados que, neste ano, tiveram um alívio por causa das intervenções do governo e que não devem se repetir em 2014.

Apesar de continuar pressionada, é esperada uma mudança de perfil da inflação para o ano que vem. Os preços administrados devem ter as variações multiplicadas por três na comparação com o registrado neste ano.

Em 2013, os preços administrados devem ter aumentado 1,5% e, em 2014, a perspectiva é de alta de 4,5%, nas contas da Rosenberg Associados, por exemplo. A Tendências Consultoria Integrada projeta um aumento de 4,35% dos preços administrados no ano que vem e de 1,25% em 2013. Já a LCA Consultores espera um avanço de 1,4% dos administrados neste ano e de 4,10% em 2014.

"Os preços administrados são o maior fator de aceleração da inflação em 2014", prevê o economista da Rosenberg, Fernando Parmagnani. Ele destaca o fim do alívio dado neste ano para os preços da energia elétrica. Por decisão do governo, a tarifa de eletricidade teve redução de 15%, o que representou um alívio de 0,40 ponto porcentual no IPCA deste ano. Para 2014, Parmagnani prevê reajuste de 4% da energia elétrica, com impacto de 0,10 ponto porcentual de alta na inflação.

Fábio Romão, economista da LCA, que projeta reajuste um pouco mais salgado para energia elétrica para 2014, de 4,20%, acrescenta outro fator de pressão para os preços administrados. "O reajuste dos ônibus urbanos, que foi zerado este ano depois das manifestações de junho, deve ser de 2,65% em 2014", prevê. Também ele espera um aumento de 1,9% no preço da gasolina, por causa de reajustes de mercado, sem contar aumentos que possam ocorrer nas refinarias, autorizados pelo governo. "Aumentos do táxi e de passagens de trem e de ônibus intermunicipais podem pressionar a inflação também."

Livres. Para a economista da consultoria Tendências, Adriana Molinari, só os preços livres têm perspectiva de desaceleração em 2014, ainda que sofram alguma pressão por causa da maior oscilação do dólar. Ela projeta alta de 6,5% para os preços livres para 2014, ante elevação de 7,1% em 2013. "Os preços livres vão ter um alívio em 2014, mas não é algo que salte aos olhos", pondera Romão.

Parmagnani, da Rosenberg, que espera uma elevação de 6% para os preços livres em 2014, diz que haverá uma troca de papéis entre os preços livres e administrados no ano que vem. Neste ano, os preços livres foram os vilões da inflação e em 2014 essa função será desempenhada pelos administrados.

"Em 2013, a inflação dos preços livres foi pressionada pelo choque de oferta nos alimentos. Mas a expectativa é que esse choque não se repita em 2014", afirma Adriana, da Tendências. Para o grupo alimentação, que deve fechar este ano com alta 8,33%, a economista espera uma elevação de preços de 7,6% em 2014.

Outro grupo de preços que deve desacelerar em 2014 é dos serviços. Adriana observa que três fatores devem contribuir para uma alta menor desses preços: crescimento menor da renda dos trabalhadores, o menor reajuste do salário mínimo e menor crescimento da ocupação no mercado de trabalho.

Romão espera para 2014 crescimento de 1,5% da renda real dos trabalhadores em relação a 2013. Para este ano, a expectativa é que a renda tenha crescido 1,7% ante 2012. O desempenho da renda real de 2013 e 2014 deve ficar muito abaixo do alcançado em 2012, quando houve alta de 4,1% ante 2011. "Os preços dos serviços terão muito menos espaço para aumentos em 2014", diz o economista da LCA. Ele projeta elevação de 8% para os preços dos serviços em 2014 na comparação com 8,59% este ano.

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