Inflação e dividendos viram aliados do investidor

Especialistas dizem que a taxa Selic a 9,75% ao ano vai impactar diretamente o lucro da renda fixa; opções mais requintadas devem ganhar o mercado

ROBERTA SCRIVANO, O Estado de S.Paulo

08 Março 2012 | 03h08

Pela segunda vez nas últimas décadas o Brasil tem taxa básica de juro (Selic) abaixo de 10%. O novo nível altera a perspectiva de aplicação aos pequenos investidores. Especialistas são unânimes em dizer que, daqui em diante, os ganhos com investimentos serão cada vez mais modestos. As apostas de aplicação do momento são para títulos indexados à inflação e fundos de dividendos.

A estimativa é feita porque a Selic menor impacta diretamente os ganhos da renda fixa - que inclui modalidades como CDB e fundos DI. "Com o juro altíssimo que tivemos até aqui, a renda fixa dava lucro sem o investidor ter de se esforçar. Era aplicar e esperar para sacar", explica Rogério Bastos, sócio da consultoria financeira FinPlan.

A Bolsa de Valores, por sua vez, está em alta - já subiu 16,32% desde janeiro. Com esse nível, especialistas não recomendam a compra de qualquer papel. Por isso, a indicação é de postura mais defensiva - como a aquisição de ações pagadoras de dividendos ou os fundos que incluem esse tipo de papel.

Bastos pondera, no entanto, que mesmo com a queda da taxa efetuada ontem, o juro brasileiro ainda é muito alto e a remuneração da renda fixa continua boa quando comparada a outras economias. "Em qualquer país desenvolvido a renda fixa tem retorno negativo se descontada a inflação", frisa Bastos.

Os produtos mais comuns da renda fixa têm a rentabilidade lastreada no CDI (taxa de juros de referência no mercado financeiro) - muito próximo à Selic e que vai recuar com a queda da taxa básica. Paulo Bittencourt, diretor da Apogeo Investimentos, diz que os investidores devem ficar atentos à remuneração desse tipo de produto. "O CDI está indo para baixo e estimamos que esse movimento vai continuar", comenta. "Agora, mais do que nunca, é preciso prestar atenção no juro nominal do investimento e não em qual porcentual do CDI será a remuneração", frisa.

Para Bittencourt, os investimentos da vez, são os fundos de dividendos e os títulos atrelados à inflação (que está alta e pode subir ainda mais com a queda dos juros). Bastos concorda com a recomendação, mas acrescenta que a posição defensiva na Bolsa não será suficiente para manter os ganhos já obtidos.

"O investidor brasileiro terá de, cada vez mais, assumir riscos mais intensos para ganhar", diz. E completa: "A composição geral das carteiras será diferente daqui em diante. É um novo cenário econômico."

Poupança. Quando a Selic cai para um dígito, porém, é hora de o investidor colocar as rentabilidades líquidas no papel para checar se a tradicional caderneta de poupança está mais atrativa que os fundos de investimentos mantidos na carteira. Isso ocorre porque a caderneta não tem taxas nem imposto de renda - que corroem a rentabilidade. Os fundos, por sua vez, cobram, pelo menos, taxa de administração e têm incidência de Imposto de Renda.

"Esse é um movimento importante que deve ocorrer. É preciso estar atento", comenta Rogério Bastos.

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