JF Diório/Estadão
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Inflação oficial tem menor taxa acumulada de janeiro a outubro desde 1998

A taxa acumulada pelo IPCA no ano foi de 2,21%; no acumulado em 12 meses, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo foi de 2,70%, segundo o IBGE

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 09h16

RIO - O aumento nas contas de luz e gás de botijão pressionaram a inflação em outubro, mas o cenário permanece benigno para os preços na economia. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou de 0,16% em setembro para 0,42% no último mês. O resultado é bem próximo das expectativas mais otimistas de analistas do mercado financeiro ouvidos pelo Projeções Broadcast.

++ Aumento na conta de luz reduz chance de inflação abaixo de 3% em 2017

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa acumulada no ano, de 2,21%, foi a mais baixa para o período de janeiro a outubro desde 1998. Segundo especialistas, o desempenho corrobora as expectativas de que o Banco Central mantenha o ciclo de cortes na taxa básica de juros, apesar das incertezas sobre a reforma da Previdência.

 

 

 

 

++ Inflação da baixa renda sobe em outubro, após deflação em setembro

“Se isso continuar se repetindo, se a inflação continuar nessa toada boa e a atividade seguir não muito robusta, abre a janela para que o Banco Central talvez se anime um pouco mais quanto à inflação. O que está em jogo é se a porta continuará aberta, se a Selic vai parar em 7,0%, ou se cairá mais em fevereiro. Para dezembro, o BC tem deixado claro que juro vai a 7,0%”, afirmou o economista Daniel Gomes da Silva, do Modal Asset Management.

Surpresa. O economista-chefe da Quantitas Asset Management, Ivo Chermont, acredita que a surpresa positiva com a inflação de outubro mantém aberta a possibilidade de mais duas reduções na taxa Selic, encerrando o ciclo em 6,75% em fevereiro. “O mais importante é que o número dá conforto e mantém aberta a probabilidade de novo corte (na Selic) em fevereiro.”

++ Para analistas, inflação 'voltou ao normal'

O aumento na energia elétrica e no gás de botijão respondeu sozinho por 0,17 ponto porcentual da inflação. A tarifa de energia elétrica subiu 3,28%. Em outubro, a bandeira tarifária vermelha patamar 2, com uma cobrança adicional de R$ 3,50 a cada 100 Kwh consumidos, substituiu a bandeira amarela vigente em setembro, que previa um adicional de R$ 2 a cada 100 Kwh consumidos.

“Energia elétrica teve reajuste de tarifa também”, lembrou Fernando Gonçalves, gerente da Coordenação de Índices de Preços do IBGE. Ele citou aumentos ocorridos em Goiânia, Brasília e São Paulo..

Pressão. A conta de luz continuará pressionando o IPCA em novembro, com a manutenção da bandeira vermelha em patamar 2, mas com um reajuste na cobrança adicional, que passa de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 Kwh consumidos.

Já o gás de botijão ficou 4,49% mais caro no mês passado, reflexo do reajuste médio de 12,9% nas refinarias, em vigor desde 11 de outubro. O gás de botijão já acumula no ano aumento de 61,96% nas refinarias, o que provocou elevação de 12,98% no preço ao consumidor.

As famílias, porém, voltaram a gastar menos com alimentação, pelo sexto mês seguido. O preço dos alimentos para consumo em casa diminuiu 0,17% em outubro. “À medida que os efeitos da supersafra se dissipem ainda mais, é esperado que os preços de alimentos reforcem a trajetória de variações cada vez mais próximas do indicado pela sua sazonalidade”, alertou Marcio Milan, analista da Tendências Consultoria Integrada.

A taxa de inflação acumulada em 12 meses acelerou de 2,54% em setembro para 2,70% em outubro, mas ainda não há impacto de uma suposta melhora da demanda, e sim da normalização do nível de preços, que estavam muito baixos no ano passado devido à crise econômica, avaliou Gonçalves. / COLABORARAM MARIA REGINA SILVA E THAÍS BARCELLOS

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