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Inflação mensal tende a subir e a acumulada em 12 meses a recuar

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JOSÉ PAULO KUPFER

O IPCA de julho, cuja variação sobre junho ficou bem próxima da estabilidade, parece representar um ponto de inflexão na trajetória da inflação em 2013. Todas as indicações convergem para a conclusão de que o 0,03% do mês passado configurou um fundo de vale na curva descendente que os índices mensais desenharam depois de janeiro. As projeções, a partir de agora, indicam que o IPCA mensal deve inverter a tendência e galgar, mês a mês, níveis gradualmente mais altos, partindo de algo como 0,3%, em agosto, até chegar às vizinhanças de 0,6%, em dezembro.

É quase uma curiosidade aritmética o fato de que, medido pelo acumulado em 12 meses, o IPCA de 2013 deverá fazer uma travessia inversa à dos índices mensais. Começou subindo a colina, pouco a pouco, ao longo do primeiro semestre, encerrando junho acima do teto da meta de inflação, nas alturas de 6,7%. Mas são boas as chances, de acordo com as estimativas do mercado, de que desça a ladeira, partindo dos 6,27% já registrados em julho rumo à vizinhança de 5,5%, no fechamento do ano. A base de comparação, representada pelas variações muito altas da inflação mensal, no segundo semestre de 2012, agora opera em favor de um IPCA em 12 meses mais camarada.

No meio dessa gangorra, o IPCA de julho foi beneficiado por forças baixistas que não se repetirão daqui para a frente. Os efeitos positivos - e inesperados - do congelamento das tarifas de transporte urbano, por exemplo, devem se dissipar, assim como o recuo dos alimentos dará lugar a altas, ainda que moderadas. Surpresa de julho, o alívio no item vestuário também dará lugar a altas, na saída do inverno.

Na composição dos elementos que influenciarão os índices de preços, nos próximos meses, o repasse das desvalorizações cambiais ocupa destaque especial. Determinar a cotação futura do dólar é um exercício inglório, mas difícil imaginar que alguns pontos porcentuais não serão adicionados à inflação, sobretudo no último trimestre, devido a pressões cambiais. Nesse sentido, o preço dos combustíveis, diretamente impactado pelo câmbio, é uma variável crítica.

Depois de um primeiro semestre de recuperação, a esperada perda de fôlego da atividade econômica, na segunda metade do ano, pode funcionar como elemento moderador dos preços. Tudo caminha, no fim das contas, para uma repetição do que ocorreu nos últimos dois anos, com a inflação se mantendo desconfortavelmente alta, mas não fora de controle. E com o Banco Central levando os juros básicos acima de 9%.

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