JF Diório/Estadão
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IPCA de setembro fica acima do esperado

Com índice de 0,16% no mês, inflação em 12 meses teve pequena alta; para analistas, com isso, queda do juro deve agora parar nos 7%

Daniela Amorim, Broadcast

06 Outubro 2017 | 09h10

RIO – A inflação oficial no País, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), subiu 0,16% em setembro, informou nesta sexta-feira, 6, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora tenha sido ligeiramente mais baixa do que a de agosto, o IPCA veio acima do esperado pelos analistas do mercado financeiro (0,09%). O número chegou a provocar uma alta nos contratos de juros no mercado futuro.

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Com o resultado de setembro, a taxa acumulada em 12 meses voltou a subir, para 2,54%, após um ano de reduções. A avaliação de economistas é que isso pode significar que o indicador chegou ao seu piso em agosto. Mas, mesmo assim, os preços permanecem sob controle. “A taxa continua baixa. Em setembro do ano passado, estava em 8,48%”, disse Fernando Gonçalves, gerente na Coordenação de Índices de Preços do IBGE.

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O início da aceleração da taxa em 12 meses, porém, aumentou a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central está muito próximo de encerrar o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic.

“A inflação não vai ficar em 3% ou abaixo de 3% em 2018, vai voltar a acelerar para algo em torno de 4% e vai coincidir com a recuperação da economia”, disse Alexandre Espírito Santo, economista da Órama Investimentos e professor do Ibmec-RJ. “Talvez seja prudente nesse momento levar (a Selic) a 7% e parar para observar, evitando o risco de levar a 6,5% e eventualmente voltar a subir juros ainda no ano que vem, o que traria um efeito psicológico ruim.”

Para Tony Volpon e Fabio Ramos, economistas do banco UBS, apesar do número acima do esperado, a inflação deve se manter sob controle nos próximos meses. “Enquanto a inflação divulgada hoje (ontem) mostra uma leve normalização mais rápida do que esperada, a dinâmica da inflação ainda é muito benigna”, disseram, em relatório. Para eles, as crescentes evidências de aceleração da atividade econômica e os vários riscos domésticos e externos devem levar o Banco Central a parar o ritmo de corte de juros quando a Selic atingir 7%.

Combustíveis. A inflação foi impulsionada no último mês pelos reajustes dos combustíveis e pelo aumento das tarifas aéreas. Durante o período de coleta do IPCA de setembro, a Petrobrás reajustou a gasolina 19 vezes, o que resultou num aumento de 4,65% nas refinarias.

 

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Os reajustes da estatal se traduziram em pressões tanto da gasolina quanto do gás de botijão na inflação: o aumento de 4,81% no gás de botijão ao consumidor elevou o IPCA em 0,06 ponto porcentual, enquanto a elevação de 2,22% na gasolina se refletiu numa contribuição de 0,09 ponto porcentual. Já as tarifas aéreas saltaram 21,9%, o equivalente a 0,07 ponto porcentual de impacto. “O aumento nos preços das passagens aéreas foi por causa da realização do Rock in Rio em setembro”, justificou Gonçalves, do IBGE.

Por outro lado, alimentos e energia elétrica ficaram mais baratos e evitaram uma inflação mais alta no mês, mas não devem contribuir de forma tão benigna na próxima leitura. As carnes e as frutas já voltaram a registrar aumentos de preços. Para outubro, são esperadas novas pressões do gás de botijão e da conta de luz. A energia elétrica terá bandeira vermelha patamar 2, que representa um adicional de R$ 3,50 a cada 100 kwh consumidos. /COLABORARAM MARIA REGINA SILVA, THAÍS BARCELLOS E VINICIUS NEDER 

ANÁLISE: Maria Andreia P. Lameiras e José Ronaldo de C. Souza Jr.*

A inflação deve se manter baixa no ano que vem

Nos últimos anos, a inflação foi grande fonte de preocupação por ter se mantido em níveis próximos ou acima do teto da meta. Recentemente, no entanto, passou a contribuir para a melhora das previsões sobre a economia para este e o próximo ano. Mais especificamente, após encerrar 2016 com uma taxa de variação acumulada em 12 meses de 6,3%, a inflação recuou fortemente este ano; até setembro, a alta acumulada é de apenas 2,5%.

Em que pese a significativa ajuda vinda da deflação dos alimentos, a desagregação do IPCA mostra que, à exceção dos preços monitorados - impactados pelos reajustes das tarifas de energia e dos combustíveis -, o processo de desinflação se deu de modo generalizado. Enquanto a deflação dos alimentos deve-se à supersafra colhida neste ano, a difusão dessa melhora da inflação se deve a diversos fatores, como o baixo dinamismo da atividade econômica, a elevada taxa de desemprego e o resgate da credibilidade do Banco Central, que contribui para ancorar expectativas e para reduzir a inércia inflacionária. 

Para o próximo ano, a expectativa é de alguma aceleração da inflação, tendo em vista que dificilmente haverá repetição do comportamento tão benevolente dos alimentos. Porém, a melhora dos fundamentos macroeconômicos aliada à ainda elevada ociosidade da capacidade produtiva e à lenta recuperação do mercado de trabalho devem propiciar trajetória inflacionária comportada.

*MARIA ANDREIA P. LAMEIRAS É PESQUISADORA E JOSÉ RONALDO DE C. SOUZA JR. É DIRETOR DE ESTUDOS E POLÍTICAS MACROECONÔMICAS DO IPEA

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