André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Processo de corte da taxa Selic ainda não terminou, diz Ilan

Em visita a Washington, presidente do Banco Central disse que conversou com investidores otimistas a respeito do momento do Brasil

Ricardo Leopoldo, enviado especial a Washington, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2017 | 12h02

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse nesta sexta-feira, 13, que o "o processo de redução de juros não terminou e acreditamos que vamos moderar o ritmo de queda." Em apresentação feita em evento em Washington, o presidente do BC disse que tanto a taxa Selic como a de juros reais estão em níveis sustentáveis.

Segundo Goldfajn, há uma percepção de analistas e também nos preços de ativos financeiros que "há confiança de que a taxa de juros continuará baixa em período longo." Para ele, "talvez a gente consiga no Brasil um período de inflação e juros baixos."

De acordo com o presidente do Banco Central, o País "tem componentes próprios que foram preponderantes para reduzir inflação." Ele destacou que as expectativas de inflação estão ancoradas no curto prazo e também as relativas a 2019 e 2020.

No evento, Ilan voltou a ressaltar a importância da ancoragem das expectativas de inflação na meta para a gestão da política monetária em apresentação em evento em Washington, nos EUA.

Ilan lembrou que as expectativas para inflação em 2017 no cenário de mercado estão atualmente em 3,2%, enquanto, para 2018, se situam em 4,3%. "A desinflação no Brasil começou no último trimestre de 2016", disse. O presidente do BC ressaltou ainda que a taxa de juros ex-ante está perto de 3%. 

Para Ilan Goldfajn, as reformas fiscais adotadas pelo governo tem grande papel neste processo. "E quanto mais cedo a reforma da Previdência for aprovada é melhor para todo mundo." 

Perguntado pelo Broadcast se tinha confiança de que tal mudança estrutural da Previdência seria aprovada neste ano pelo Congresso, como manifesta o ministério da Fazenda, ele comentou: "é uma reforma importante para a economia brasileira. O governo vai continuar nesse processo", disse. "E seria bom todos nós levarmos em consideração que esse tipo de reforma tem que ser feita agora enquanto as condições são benignas no cenário internacional."

Para Goldfajn, "uma reforma como essa ajuda a taxa de juros estrutural, a taxa neutra", porque colabora para reduzi-la. "A taxa de juros no médio e longo prazos vai depender bastante do que nós conseguirmos fazer em relação à taxa neutra."

Otimismo. Durante sua apresentação no evento Brazil Economic Conference 2017 em Washington, Ilan Goldfajn afirmou que se encontrou com investidores na cidade. Segundo o presidente do BC, os investidores demonstraram confiança no Brasil.

Ilan citou alguns pontos positivos da situação atual do País, como aprovação da nova Taxa de Longo Prazo (TLP), que vai substituir, a partir do ano que vem, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TLJP) nos financiamentos do BNDES. Segundo ele, a nova taxa dá mais potência à política monetária. "Com mais eficiência da política monetária, caem os juros da economia."

O presidente do BC ainda mencionou que o processo de recuperação econômica está em curso, embora no início, e que ocorre de forma positiva. "O consumo reagiu com a inflação baixa e elevação do salário real."

Ilan também afirmou que os países emergentes se beneficiaram da globalização. "Seremos mais beneficiados com a abertura da economia do Brasil para o exterior", disse o presidente do BC.

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