Inflação tem primeiro resultado negativo para um mês em 11 anos

Inflação tem primeiro resultado negativo para um mês em 11 anos

IPCA ficou em -0,23% e teve resultado mais baixo desde junho de 2006; energia elétrica dá trégua e alimentos seguem pressionando índice para baixo

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2017 | 09h17

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial, teve seu primeiro resultado negativo para um mês desde junho de 2006. Em junho, o indicador ficou em -0,23%, abaixo do 0,31% visto em maio e a menor taxa desde agosto de 1998 (-0,51%). 

A última vez em que o índice ficou negativo foi em junho de 2006 (-0,21%). O resultado veio dentro das expectativas de analistas consultados pelo Broadcast, que esperavam um resultado na faixa entre -0,29% e -0,07%. A mediana das projeções era de -0,18%.

Com isso, o primeiro semestre do ano fechou em 1,18%, bem menos do que os 4,42% registrados em igual período do ano passado. Considerando-se os primeiros semestres do ano, é o resultado mais baixo da série. Em relação aos últimos doze meses, o índice foi para 3,00%, abaixo dos 3,60% relativos aos doze meses imediatamente anteriores.

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As contas de energia elétrica, que em maio haviam subido 8,98%, puxando a elevação do índice de inflação a 0,31%, fizeram um movimento contrário em junho, com queda de -5,52%. Isso se deveu, principalmente, à passagem da bandeira vermelha para a verde, que significa uma redução de R$ 3,00 a cada 100 kWh consumidos.

Os combustíveis tiveram queda de -2,84%, levando o grupo de Transportes a -0,52%, com destaque para as duas reduções seguidas no preço da gasolina, autorizadas pela Petrobras, no final de maio e em junho, além da variação de -4,66% no litro do etanol.

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Já os alimentos, que representam 26% do IPCA, tiveram queda de -0,50%, puxada pela alimentação em casa (-0,93%), com redução em todas as regiões pesquisadas. Itens importantes, como tomate, batata-inglesa e frutas, tiveram quedas significativas nos preços. Segundo Eulina Nunes, “essa baixa nos preços reflete os resultados positivos da safra e os efeitos da redução no poder aquisitivo da população, que levam o comércio a fazer ofertas e promoções”.

Regiões.  A deflação em junho foi decorrente de quedas de preços generalizadas entre as 13 regiões pesquisadas.

"Não foi possível constatar, mas acho que podemos afirmar que é a primeira vez. Todo mundo ficou abaixo de zero", confirmou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE.

A queda mais acentuada foi registrada na região metropolitana de Belo Horizonte (-0,48%), enquanto a mais amena foi a de Goiânia (-0,04%). Em São Paulo, que responde por quase um terço do IPCA, a deflação foi de 0,31% em junho. No Rio de Janeiro, os preços caíram 0,09%. Em Brasília, o recuo foi de 0,22%. /COM AGÊNCIA IBGE

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