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Investidor lucra com queda na Bolsa

- Atualizado: 20 Fevereiro 2016 | 18h 23

Enquanto alguns brasileiros perdem quase tudo que aplicaram, alguns embolsam lucros com o desempenho negativo das ações

Na contramão dos investidores que perderam quase tudo no mercado acionário, há quem comemore a forte volatilidade que assolou a Bolsa de Valores de São Paulo (BM&F Bovespa) nos últimos anos. Apesar da queda que supera os 30% entre 2012 e fevereiro deste ano, um grupo de investidores tem conseguido embolsar lucros “invejáveis” para o momento atual e para um aplicador comum.

No jargão do mercado, eles são chamados de “vendidos” e apostam exatamente na queda da Bolsa. São investidores mais atentos, ligados às informações da economia, qualificados e maduros. Assumem riscos elevados em troca da possibilidade de um ganho diferenciado. “Não é para amadores”, afirma Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, que auxilia os investidores nessas operações.

Raphael Figueiredo, analista de investimentos da Clear Corretora
Raphael Figueiredo, analista de investimentos da Clear Corretora

Uma das formas mais comuns de se aproveitar da queda da Bolsa é vender a ação de propriedade de outra pessoa. Para fazer isso, o investidor aluga – literalmente – o papel de outro investidor e paga uma taxa sobre o volume negociado, que varia conforme a oferta e a demanda do papel. Em seguida, ele vende essa ação pela cotação do dia, digamos, por R$ 10. Se o papel cair para R$ 7, por exemplo, que é a aposta do investidor nessa operação, ele ganha R$ 3 menos a taxa de aluguel.

“Se o investidor não for bem preparado – que é o caso da maioria deles –, e não conhecer esse mecanismo, ele não vai ganhar dinheiro com a queda da Bolsa. Do outro lado, quem está ganhando são os gestores e profissionais que conhecem essa operação a fundo”, afirma o sócio e estrategista da TCX , Luiz Pardal.

Segundo ele, no Brasil, os investidores menos qualificados perdem muito dinheiro porque entram na Bolsa no momento errado, quando as ações já subiram muito. “Ao ver amigos e vizinhos trocando carro e comprando bens com os ganhos da Bolsa, o brasileiro se empolga e entra no mercado, mas sempre no fim da festa. Aí perde dinheiro e sai dizendo que a Bolsa é um cassino, um jogo.”

Pardal atua no mercado financeiro há 37 anos e já viu de tudo um pouco: investidor que ficou milionário se especializando num único tipo de operação, como a de aluguel de ações, e gente que perde praticamente tudo tentando ficar rico. “Já vi muita gente pedir demissão, ou se aposentar, pegar todo o dinheiro para investir na Bolsa e perder tudo. Mas isso é um movimento comum de país subdesenvolvido, com baixa educação financeira. O pessoal entra na Bolsa achando que vai ficar rico.”

Para o investidor mais qualificado, apesar do risco, a volatilidade do mercado é uma grande oportunidade de ganhar dinheiro. “Ela mostra desajustes e discrepâncias de preços. Quanto maior o aumento da volatilidade, maior a oportunidade de lucro de quem está no mercado”, afirma Figueredo. Mas ele alerta: “Esse ambiente é para poucos, apenas para quem tem maturidade para entrar nesse mercado”.

O analista da Clear Corretora conta que o trabalho dele é municiar os investidores de informações e projeções para que eles tomem a melhor decisão. “Somos uma bússola para o investidor, damos o caminho para ele fazer suas aplicações. Também podemos fazer recomendações de venda de ações, apostando na queda.”

Índice. Nos últimos meses, não faltaram oportunidades para esses investidores. Um levantamento feito pela empresa de informação financeira Economática mostra que o índice de volatilidade de alguns papéis brasileiros atingiram o maior patamar, pelo menos, desde 2010. Naquela época, o índice de uma empresa como Rossi era de 44,53. No dia 15 de fevereiro, esse indicador subiu para 108,59 – a empresa afirmou que esse vaivém do preço das ações não tem nenhuma interferência do dia a dia da companhia. O mesmo ocorreu com PDG, cujo índice subiu de 41,11, em 2010, para 104,7. As duas estão no topo do ranking de volatilidade feito pela Economática, que inclui ainda a Gol (80,92) e Le Lis Blanc (70,36). “É bom lembrar que a volatilidade alta propicia retornos elevados”, diz Figueredo.

Alexandre Povoa, da Canepa Asset Management, afirma que quem estava “vendido” em ações da Petrobrás nos últimos anos ganhou muito dinheiro. Pela Economática, o índice de volatilidade da empresa está em 61,35 (ON) e 58,03 (PN).

 
 

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