Dida Sampaio|Estadão
Dida Sampaio|Estadão

Investigação da Caixa diz que presidente do banco é inocente de acusações de desvios

Investigação independente sobre conduta de Gilberto Occhi não apontou conduta ilícita, segundo banco

O Estado de S.Paulo

29 Março 2018 | 20h18

Brasília – A Caixa informou que encaminhou nesta quinta-feira, 29, aos órgãos de controle e ao Ministério Público Federal os relatórios da investigação independente e da própria corregedoria do banco sobre a conduta do presidente da instituição, Gilberto Occhi. De acordo com o banco, que não deu acesso aos documentos, o resultado das duas auditorias livram Occhi de qualquer conduta ilícita.

A investigação independente foi feita pelo escritório de advogados Pinheiro Neto a partir do relato do corretor e delator Lúcio Bolonha Funaro. Em sua colaboração premiada, Funaro acusou Occhi de ter feito desvios de recursos para o partido.  “Sabia até que tinha uma meta do Gilberto Occhi, de produzir um valor x por mês”, disse Funaro, em um dos vídeos do depoimento prestado ao Ministério Público. No entanto, ele não soube dizer qual era o valor da meta. “Qualquer verba da Caixa para sair, tudo quanto é verba do governo, tinha que passar pela diretoria dele. Tinha que passar na vice-presidência dele”, disse Funaro, em relação à atuação de Occhi. “E ele tinha uma meta, que não sei de quanto era. Meta de propina”, reforçou.

Além da auditoria externa, a Caixa também fez uma investigação interna pela corregedoria, instaurada a pedido de Occhi. “Ao término dos trabalhos, e após examinar todos os documentos produzidos, as investigações externa e interna não encontraram quaisquer elementos que apontem condutas ilícitas relacionadas ao presidente”, afirma o banco, em nota.

O relatório produzido pelo escritório Pinheiro Neto a pedido do conselho de administração do banco faz parte da segunda fase de investigação que o órgão aprovou para apurar o impacto das suspeitas de corrupção no banco no balanço do banco. A primeira fase feita com os vice-presidentes teve prazo curto e acabou dando novos direcionamentos para o aprofundamento da investigação. A terceira fase de investigação, como antecipou o Estadão/Broadcast, também será feita pelo Pinheiro Neto, que ganhou nova licitação, e vai investigar diretores que estavam subordinados aos vice-presidentes.

Os procuradores da força-tarefa Greenfield requisitaram na sexta-feira o acesso a essas investigações. Além do Ministério Público Federal, Banco Central, Tribunal de Contas da União (TCU) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também receberam os documentos.

O Ministério Público Federal também enviou à Presidência da República, ao Ministério da Fazenda e ao conselho administrativo da Caixa uma recomendação para que o novo presidente do banco seja escolhido por meio de um processo seletivo impessoal e com a produção de uma lista quíntupla. 

Atual presidente, Occhi pode deixar o comando do banco durante a reforma ministerial. Ele foi indicado pelo seu partido, o PP, para assumir o comando do ministério da Saúde. O governo ainda não bateu o martelo se ele vai para a Saúde ou fica na Caixa. Internamente no MPF, a nova recomendação é vista como um complemento da anterior e tem por objetivo evitar que, caso ocorra a substituição, novo político seja indicado para a vaga de Occhi.

Os procuradores argumentam que o modelo é escolha com processo seletivo tem por objetivo melhorar a gestão do banco e garantir a transparência. Em dezembro de 2017, os procuradores haviam recomendado o uso de um serviço de recrutamento para a formação dessa lista de nomes a serem escolhidos para o comando do banco. Com base nesses nomes, o presidente da República poderia escolher o mais bem preparado.

Na mesma recomendação de dezembro, os procuradores solicitaram a saída de todos os vice-presidentes da instituição. A saída só ocorreu, como mostrou o Estado, em janeiro, após o Banco Central também se posicionar a favor das mudanças. Ao todo, quatro vice-presidentes foram substituídos. 

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