Investimento baixo dificulta retomada

Entre janeiro e abril, gastos do governo federal com investimentos caíram ao menor nível desde 2009

Lu Aiko Otta/ BRASÍLIA, Impresso

04 Junho 2017 | 05h00

Poucos e a conta-gotas, os investimentos do governo federal estão longe de fazer a diferença sobre a atividade econômica. “De janeiro a abril, os investimentos do governo e das empresas estatais caíram muito”, diz o secretário-geral da organização Contas Abertas, Gil Castello Branco. “A esperada retomada do crescimento econômico, se acontecer, não será por conta dos investimentos públicos.”

Dados levantados por ele e publicados pelo Estado no mês passado indicam que, no primeiro quadrimestre, os gastos do governo federal com investimentos caíram ao menor nível desde 2009. Foram desembolsados R$ 8,1 bilhões, ante R$ 19,1 bilhões em igual período de 2016. Na pasta dos Transportes, os pagamentos caíram para R$ 2,7 bilhões ante R$ 5,1 bilhões nos primeiros quatro meses do ano passado.

A taxa de investimentos na economia completou seu 12.º trimestre de queda, segundo o IBGE. Nos primeiros três meses do ano, a redução foi de 3,7% ante período de 2016.

“Os investimentos estão em colapso”, diz o economista Cláudio Frischtak, da consultoria Inter.B. “Quer dizer que o potencial de crescimento do País está se deteriorando.” Ele calcula que seria necessário investir 10% do PIB para que o Brasil atingisse potencial de crescimento de 3% ao ano. No momento, essa taxa está entre 1% e 1,5%.

Para Frischtak, o governo acerta em concentrar os poucos recursos que tem nas obras em fase final. “É uma priorização correta”, diz. No entanto, a queda nos investimentos em 2017 é relevante e por isso o efeito desses gastos públicos na economia real é muito pequeno. 

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