Investimento em gestão é principal arma contra atrasos

Depois das dificuldades com a oferta de mão de obra, companhias do setor buscaram soluções logísticas nos canteiros

Gustavo Coltri,

29 Maio 2014 | 09h08

SÃO PAULO - Além das obrigações, as construtoras passaram a investir em planejamento e gestão para resolverem problemas de atrasos e de qualidade nas edificações. "Hoje, as empresas preocupadas com tecnologia e produtividade estão atuando com gestão. Não há mais espaço para aventureiros na nossa indústria", diz o vice-presidente de tecnologia e qualidade do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Paulo Sanchez.

Historicamente, houve nas companhias, segundo ele, um distanciamento entre equipes de projeto e de execução de obras. Esse cenário teve de mudar quando as construtoras passaram a ter dificuldades para cumprir obrigações, no auge do aquecimento do mercado. Umas das ferramentas buscadas pelas companhias, caso da Edalco, por exemplo, foi o software Building Information Modeling (BIM), que leva os métodos construtivos diretamente para a elaboração dos projetos.

Outra medida intensificada foi a formação de mão de obra. Hoje, estruturas montadas paras os operários destinam-se tanto à formação educacional básica quanto de técnicas úteis nos canteiros. "Em um cenário competitivo como o atual, é de suma importância para os resultados da empresa tentar extrair a máxima produtividade no canteiro de obra", diz o diretor financeiro e de relações com investidores da EZTEC, Emílio Fugazza. A empresa foi a quarta colocada no Top Imobiliário.

As ações das empresas nos últimos dois anos, de acordo com o diretor da consultoria em sustentabilidade Inovatech, Luiz Henrique Ferreira, tiveram como objetivo eliminar o improvisos nas obras, comuns até o passado recente. "Parte dos problemas que surgiram estava ligada à perda de controle dos processos, porque muitas empresas cresceram demais", conta.

A Gafisa, que conquistou a quinta colocação no Top Imobiliário deste ano, desenvolveu por dois anos uma série de ações logísticas, com a contratação de mais de cem profissionais da área, para garantir o bom andamento de suas obras.

"Essa atividade, concluída no fim do ano passado, tem duas funções : garantir a produtividade e eficiência de trabalho e dar visibilidade e controle dos gastos da obra, com redução de desperdício", diz o diretor de suprimentos da Gafisa, Gerson Dias.

Os profissionais de logística foram buscados na indústria e treinados por funcionários da Gafisa para atuar nos canteiros, juntamente com a área de engenharia. Há ainda uma equipe corporativa, responsável pela elaboração de métodos que passam a ser replicados nas obras.

A logística fica responsável pela distribuição e o acompanhamento do uso de todos o materiais de construção, de forma que, quando os operários chegam para trabalhar, os produtos já estão a espera deles no local adequado. A proximidade com a execução do serviço deu agilidade para a tomada de decisões na empresa, na medida em que os balanços são, agora, semanais, e não apenas mensais.

"Vemos redução de 90% no atraso das nossas obras, e não enxergamos estouro de custos", comemora o diretor de operações, Guilherme Sartori.

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