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Investimento esboça reação após 14 trimestres

No ano, porém, a taxa desceu a 15,6%, opatamar mais baixo da série desde 1996

Daniela Amorim e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

01 Março 2018 | 21h30

Após um longo período de perdas, os investimentos na economia começam enfim a esboçar reação. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, medida dos investimentos no PIB) encerrou o último trimestre de 2017 com crescimento de 3,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, interrompendo uma sequência de 14 trimestres consecutivos de quedas, informou nesta quinta-feira, 1º, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A taxa de investimento no ano, porém, desceu a 15,6%, o patamar mais baixo da série histórica iniciada em 1996. O resultado reforça que o caminho até a recuperação das perdas passadas será longo, e a retomada dos investimentos pesados ainda depende do andamento das concessões, da redução da capacidade instalada ociosa e do ambiente político, segundo analistas.

Caso a agenda de reforma seja mantida no próximo governo, o investimento pode deslanchar no ano que vem, avaliou a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour Chachamovitz. “O investimento ainda não será o grande motor em 2018 dada a incerteza com a eleição”, disse Solange.

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, o avanço na FBCF foi de 2,0% no quarto trimestre de 2017, o terceiro avanço seguido.

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A Formação Bruta de Capital Fixo ainda ficou em território negativo no fechamento de 2017: -1,8%. “Se o investimento tivesse ficado parado no ano passado, ele teria caído 3,0%, por conta do carregamento estatístico (do ano anterior). A queda de 1,8% significa que houve recuperação. Para 2018, já há um carregamento estatístico positivo de 2,4%”, calculou José Ronaldo de Souza Junior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O Ipea prevê uma expansão de 5,2% no investimentos este ano.

Em 2017, o componente máquinas e equipamentos cresceu 3,0%, enquanto o componente da construção recuou 5,6%. Os demais tipos de investimentos, como pesquisa em inovação e desenvolvimento, cresceram 1,2%.

“Com a crise fiscal, uma das primeiras coisas que o governo corta são investimentos. Teve uma redução importante dos gastos do governo nesse período, e também na área privada”, justificou Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. “É normal que a construção demore um pouco mais para recuperar mesmo”, avaliou.

Indústria fraca. Além de frear uma recuperação maior da FBCF, as perdas da construção impediram também um avanço no PIB industrial no ano. “A indústria deu contribuição zero ao crescimento do PIB de 2017”, ressaltou Rebeca Palis.

Diante de uma queda de 5,0% na indústria da construção, o PIB industrial encerrou 2017 com estabilidade, apesar de crescimentos consideráveis nos outros subsetores: indústria de transformação (1,7%), indústrias extrativas (4,3%) e produção e distribuição de eletricidade, gás e água (0,9%).

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“Tivesse a indústria crescido como cresceu a agropecuária (+13,0%), dadas as suas diversificadas e fortes relações inter e intra setoriais e o perfil do seu emprego, majoritariamente formal, a recuperação da economia em 2017 teria sido, sem sombra de dúvida, muito mais vigorosa do que foi”, apontou o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), em nota. /COLABOROU MARIA REGINA SILVA

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