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Para analistas, inflação voltou ao ‘normal’

IPCA-15 acelera em outubro e economistas veem agora chances mais reduzidas de a inflação fechar o ano abaixo do piso da meta, de 3%

Daniela Amorim, Maria Regina Silva e Thais Barcellos, O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 09h08

RIO E SÃO PAULO – Sob pressão dos reajustes de combustíveis, a prévia da inflação oficial do País acelerou em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15) fechou em 0,34%, após alta de 0,11% em setembro, segundo o IBGE.

Com o resultado, o índice acumulado em 12 meses acelerou de 2,56% em setembro para 2,71% em outubro, a primeira alta desde agosto do ano passado. O movimento diminui a chance de o IPCA encerrar 2017 abaixo do piso da meta estipulada pelo governo, de 3%, e corrobora as previsões de que o Comitê de Política Monetária do Banco Central modere o ritmo de corte na taxa básica de juros.

FERNANDO DANTAS O botijão e a inflação

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“É uma normalização da inflação. Não é nosso normal esses números baixos próximos de zero, ainda não temos situação fiscal para tal”, avaliou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, ressaltando, porém, que o cenário de inflação permanece favorável e sem grandes riscos para 2018.

Após a divulgação do IPCA-15, o banco UBS Brasil revisou sua estimativa para a inflação do ano de 3% para 3,1%. A consultoria Rosenberg Associados também elevou sua projeção, de 2,8% para 3,1%.

“Começamos a ver que o piso da inflação já foi batido e a tendência é acelerar moderadamente até o fim do ano”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno.

Em outubro, houve elevação de 5,36% nos combustíveis domésticos, incluídos nas despesas com Habitação, e alta de 1,29% nos combustíveis de veículos, que fazem parte dos gastos com Transportes.

O gás de botijão subiu 5,72% em outubro, o maior impacto individual sobre o IPCA-15 do mês. Entre setembro e outubro, a Petrobrás anunciou três reajustes nas distribuidoras para o botijão de gás de 13 kg. A gasolina também foi reajustada pela petroleira nas refinarias, resultando num aumento de 1,45% ao consumidor em outubro. Juntos, os grupos Transportes e Habitação responderam por 0,21 ponto porcentual do índice.

Ao mesmo tempo, os preços dos alimentos caíram menos (-0,15%), queda insuficiente para compensar as pressões inflacionárias do mês. “Períodos de surpresa para baixo parece que se encerraram”, disse o economista André Muller, da AZ Quest Investimentos. “Seria preocupante se começássemos a ter pressões relacionadas à demanda, mas parece que isso está longe de ocorrer.”

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