Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Ipea projeta alta de 0,3% no investimento no 1º trimestre

Se IBGE confirmar estimativa no fim mês, será mais um sinal da lentidão na recuperação da economia

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

07 Maio 2018 | 22h29

Os investimentos cresceram apenas 0,3% no primeiro trimestre do ano, na comparação com o quarto trimestre de 2017, conforme estimativa divulgada nesta segunda-feira, 07, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Se a estimativa for confirmada, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informar os dados do Produto Interno Bruto (PIB), no fim do mês, será mais um sinal de lentidão na recuperação da economia, na avaliação de Leonardo Mello de Carvalho, pesquisador do Ipea.

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“O primeiro trimestre, em termos de atividade econômica, foi frustrante”, disse Carvalho. O ligeiro crescimento foi estimado com base no avanço de 0,8% em março ante fevereiro no Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). O índice procura estimar, a partir de dados antecedentes, o comportamento da FBCF, como são chamados os investimentos no PIB.

Segundo Carvalho, o fraco crescimento dos investimentos no início do ano não chega a comprometer as estimativas de alta nos investimentos em 2018. Isso porque esse item do PIB fechou 2017 em alta. Nas contas do pesquisador, se o investimento registrar variação nula ao longo de 2018, sempre na comparação de um trimestre com o trimestre imediatamente anterior, já teria alta de 2,5% em relação a 2017 – para o Ipea, a alta anual poderá chegar a 4,0%.

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O problema é que até um crescimento de 4,0% é pouco, pois, como lembrou Carvalho, o investimento, geralmente, cai mais do que o PIB nos momentos de retração, mas, por outro lado, avança mais rapidamente nos momentos de crescimento econômico. “A questão é que os investimentos poderiam crescer mais”, disse.

A forma como os investimentos cresceram no primeiro trimestre corroboram o cenário de lentidão. Conforme o Indicador Ipea de FBCF, a alta foi puxada pelos aportes em máquinas e equipamentos. O consumo aparente desses itens (produção interna líquida das exportações, acrescida das importações) encerrou o primeiro trimestre com alta de 2,4%.

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Segundo Carvalho, esses investimentos respondem mais a uma demanda por modernização e aumento da produtividade nas fábricas. Há pouco investimento em expansão e em infraestrutura. Tanto que, no índice do Ipea, o componente de construção civil apresentou crescimento mais modesto em março, de 0,2% ante fevereiro, resultado que sucedeu duas quedas consecutivas. Com isso, o setor encerrou o primeiro trimestre com retração de 0,6% ante o último trimestre de 2017.

Carvalho lembrou que esses investimentos são diretamente afetados pela falta de confiança na economia e na demanda futura, marcada pela incerteza em relação ao cenário eleitoral deste ano. Para piorar, o setor da construção civil foi atingido tanto pela queda de investimentos dos governos, em meio à crise fiscal, quanto pelas investigações contra a corrupção, que atingiram em cheio as principais empreiteiras do País.

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