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Japonesa AGC vai investir US$ 470 mi em fábrica de vidros em São Paulo

Cleide Silva - O Estado de S.Paulo

26 Abril 2011 | 00h 00

Unidade, em Guaratinguetá, será a primeira do grupo na América do Sul; em comunicado, empresa diz que investimento tem por objetivo aproveitar o bom momento econômico que atravessa o País, com novas fábricas de automóveis e construção em alta

A maior fabricante mundial de vidros automotivos e para o setor da construção civil, a japonesa AGC Group, vai construir uma fábrica em Guaratinguetá, na região do Vale do Paraíba, em São Paulo, segundo anunciou a empresa ontem. O investimento será de US$ 470 milhões (cerca de R$ 750 milhões) e o início das operações está previsto para 2013.

Essa será a primeira unidade da empresa na América do Sul. A produção do grupo será 80% voltada para a construção civil e 20% para o setor automotivo. Até 2016, a AGC Vidros do Brasil espera produzir anualmente 220 mil toneladas do produto para o setor da construção, além de conjunto de vidros para atender 500 mil veículos. Serão gerados 500 empregos diretos.

A fábrica será instalada em uma área de 500 mil metros quadrados. De acordo com o presidente da Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade (Investe São Paulo), Luciano Almeida, a escolha do município de Guaratinguetá contempla um programa de descentralização dos investimentos no Estado desenvolvido pela agência.

Também contribuíram a disponibilidade de produtos necessários à produção, como gás, energia e água, e de mão de obra qualificada, além de facilidade de acesso a outras regiões do País pela Via Dutra.

O município ofereceu benefícios fiscais e infraestrutura. Estavam na disputa outras cidades, como Pindamonhangaba e Descalvado. Os Estados do Rio e de Minas Gerais também fizeram ofertas. As negociações com a AGC Group começaram em setembro do ano passado, informa Almeida.

Segundo nota divulgada ontem em Tóquio, "a AGC pretende aproveitar a forte demanda do Brasil por meio do estabelecimento de uma base produtiva altamente eficiente".

O grupo ressalta que numerosas montadoras anunciaram planos para expandir suas capacidades no Brasil, quarto maior mercado automotivo do mundo no ano passado.

Entre os novos projetos confirmados pelas montadoras em São Paulo está a fábrica da chinesa Chery, em Jacareí, a da coreana Hyundai, em Piracicaba, e a segunda unidade da japonesa Honda, em Sorocaba. A Fiat também terá mais uma fábrica, em Pernambuco.

A AGC também está atenta ao crescimento do setor da construção civil diante dos projetos sociais do governo em programas como Minha Casa, Minha Vida, e também das obras para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Na sexta-feira, executivos da empresa, que tem sua sede administrativa na Bélgica, farão o anúncio oficial do projeto em Guaratinguetá, a 180 quilômetros da capital paulista, com a presença do governador Geraldo Alckmin, do vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico, Guilherme Afif Domingos, e de Almeida.

Expansão global. A unidade brasileira da AGC faz parte do projeto de expansão global do grupo, que projeta faturamento anual de US$ 23 bilhões até 2020, sendo 30% gerados nos mercados emergentes.

A AGC já tem fábricas em mais de 20 países, entre os quais China, Índia e Rússia. Emprega cerca de 50 mil pessoas e faturou aproximadamente US$ 15 bilhões no ano passado.

"A partir de agora, as três maiores fabricantes mundiais de vidro estarão em São Paulo", ressalta Almeida. Ele destaca tratar-se de um segmento com produção altamente sofisticada.

O Estado já abriga unidades da Cebrace - joint venture entre a francesa Saint-Gobain e a japonesa Pilkington - e da Guardian. Só a Saint-Gobain tem capacidade para cerca de 3 milhões de conjuntos de vidros automotivos ao ano.

Foco

220 mil

toneladas de vidro por ano devem ser fabricados pela AGC na fábrica brasileira apenas para atender o mercado de construção

PARA LEMBRAR

Estado atrai R$ 4,6 bi em investimentos

De 2009 até agora, a Investe SP atraiu dez grandes empresas para o Estado, que investirão R$ 4,6 bilhões na construção de fábricas e devem empregar 13,4 mil trabalhadores. A agência foi criada pelo governo paulista para atrair investimentos e aumentar a competitividade da economia local. Entre as empresas que anunciaram projetos estão as montadoras Chery, Hyundai e Toyota e a fabricante de máquinas e equipamentos Doosan. A agência tem 80 projetos em carteira, que contabilizam potencial de investimento de R$ 22 bilhões e capacidade de gerar 52 mil empregos diretos, diz Luciano de Almeida. Um dos projetos é o da Foxconn, que promete investir US$ 12 bilhões no País.

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