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JBS pode ter lucro de   R$ 12,7 bi com o câmbio, diz Credit Suisse

Estratégia de proteção cambial adotada pela empresa deve contribuir para o resultado financeiro do terceiro trimestre

Renato Oselame, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 15h27

SÃO PAULO - O Credit Suisse espera que a estratégia de hedge cambial adotada pela JBS impulsione os resultados da companhia e tornem o terceiro trimestre de 2015 "memorável". Em relatório, a instituição financeira estima que os derivativos da JBS contribuam com R$ 12,709 bilhões para o resultado financeiro líquido da companhia, que deve ficar positivo em R$ 5,281 bilhões no período. 

Os analistas Viccenzo Paternostro e Victor Saragiotto esperam que esse efeito cambial gere um lucro líquido maior em 2015, calculado em R$ 5,012 bilhões. Já o fluxo de caixa livre do terceiro trimestre deve superar a marca de R$ 10 bilhões.

Os cálculos assumem que o dólar permanecerá cotado a R$ 4,15 até o fim de setembro (queda de 34% do real ante o segundo trimestre). O resultado financeiro líquido inclui pagamentos e recebimentos de juros, impostos, variação cambial (com efeito não-caixa) e o custo dos derivativos, que é estimado em R$ 1,3 bilhão entre julho e setembro.

No documento, os analistas notam que 84% das receitas da JBS estão denominadas em dólar, mas que a administração já declarou não acreditar na estratégia do "hedge natural". Em função disso, a JBS preferiu montar uma posição de cerca de US$ 12 bilhões em derivativos. "Em outras palavras, a companhia comprou bilhões de dólares em contratos futuros e deve se beneficiar muito da depreciação do real (sem mencionar o impacto positivo disso sobre o Ebitda)", afirmam. 

O Credit Suisse ressalva, porém, que o custo para manter o hedge está entre 11% a 12% ao ano, de modo que o lucro e o fluxo de caixa da companhia podem ser negativamente afetados em trimestres em que o real permanecer estável ou subir ante o dólar - como ocorreu entre abril e junho deste ano.

Se o cálculo do Credit Suisse se provar correto, a JBS vai mais que compensar o resultado financeiro negativo de R$ 2,3 bilhões do trimestre passado, com desempenho líquido de R$ 3,044 bilhões desde o início do ano nesta linha do seu balanço. O banco manteve sua recomendação "outperform" (desempenho acima da média do mercado) no curto prazo para a JBS devido à melhora de Ebitda e aos ganhos em derivativos.

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