1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Jornais facilitam relação com anunciantes

Nayara Fraga - O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2014 | 21h 54

Novas ferramentas vão tornar mais simples a compra de espaços publicitários

A Associação Nacional dos Jornais (ANJ) apresentou nesta segunda-feira, 18, no 10º Congresso Brasileiro de Jornais, em São Paulo, duas ferramentas que pretendem facilitar a relação dos veículos de comunicação com os anunciantes: a Digital Premium Jornais e a Marketplace de Jornais. Nesta terça, as novidades são apresentadas para centenas de convidados do mercado publicitário.

A primeira é uma plataforma digital em que será possível negociar peças online nos sites de todos os jornais participantes. Pela primeira vez, será possível o acesso a jornais de várias regiões do Brasil em uma mesma ferramenta, sem necessidade de contato individual com a equipe de cada empresa. 

O primeiro recurso a ser lançado pelo Digital Premium é um anúncio flutuante na home (página principal) dos sites dos jornais, como um “pop-up”. O objetivo das publicações é expandir aos poucos as opções de anúncios disponíveis na plataforma online.

“Havia uma demanda muito forte (por parte das agências) pela possibilidade de, com poucas ações, anunciar no jornal”, disse Eduardo Smith, diretor do comitê mercado anunciante da ANJ e vice-presidente de jornais, rádios e digital do Grupo RBS. O produto colocará os jornais entre as dez maiores propriedades brasileiras com maior audiência, segundo levantamento da comScore.

O Marketplace de Jornais, a segunda ferramenta anunciada, permitirá que anunciantes simulem a compra de anúncios impressos em dezenas de jornais brasileiros. A plataforma fornecerá informações sobre a audiência dos veículos usando métricas validadas pela ANJ.

Alcance. A forma de medir o alcance de um jornal foi um dos principais temas do painel que discutiu o reposicionamento dos jornais brasileiros. 

Segundo Ana Amélia Filizola, diretora da unidade de jornais do grupo paranaense GRPCOM (dono de jornais como Gazeta do Povo e Jornal de Londrina), o mercado se habituou a trabalhar com os números de circulação, em vez de considerar a audiência total, incluindo os sites e as plataformas móveis, o que acabava por diminuir a importância do meio. 

“A audiência do dia dos principais jornais é maior que a dos principais programas veiculados por duas das três maiores emissoras de TV do País”, exemplificou Ana Amélia. 

Durante a palestra, a executiva lembrou ainda que 62% dos leitores não dividem a leitura do jornal com outra atividade, de acordo com a Estudos Marplan EMG - o que mostra que o leitor realmente presta atenção ao que lê. Ela também citou pesquisas que apontam que o maior “recall” (lembrança) da marca anunciante ocorre entre o público leitor de jornal.

Para a ANJ, faz parte desse momento de reposicionamento dos jornais o entendimento de que jornal não se resume à notícia em papel. Em campanha publicitária que estreia amanhã, idealizada pela agência Lew’Lara\TBWA, a associação mostra que as notícias de jornal estão presentes hoje em diversos meios - na internet, nos smartphones e nas redes sociais. “O desafio das empresas (do setor) é saber como viver nesse mundo multiplataforma”, resumiu Guilherme Pereira, presidente executivo do Grupo GRPCOM. 

Inovação. Por isso, o tema inovação também permeou as discussões do primeiro dia do Congresso Brasileiro de Jornais. Em palestra, Jean Marie Dru, presidente mundial da agência de publicidade TBWA, defendeu a necessidade de romper com estratégias passadas para criar rupturas de pensamento e pensar os diferentes meios de forma integrada. “Sete anos atrás, as pessoas falavam do mundo real (físico) e do digital. Mas hoje esse é um mundo só. Já não existe mais essa distância.” 

Ele citou a rede de supermercados britânica Tesco como exemplo de empresa que rompeu com as barreiras entre esses dois universos. A companhia instalou no metrô de Seul prateleiras virtuais em que os clientes podiam comprar mercadorias pelo smartphone e depois recebê-las em casa.

Isso não quer dizer, segundo Dru, que os jornais devam pensar como companhias de tecnologia. “A tecnologia apenas muda o contexto e a forma como distribuímos (a notícia). Há mais de 500 tecnologias sendo usadas pelo The New York Times, e não é por isso que eles vão se transformar em uma empresa de tecnologia”, ressaltou. O produto do jornal, afirmou ele, continuará sendo a notícia.

PROGRAMAÇÃO DE TERÇA-FEIRA, 18

Prêmios

Ruy Mesquita e Roberto Civita são homenageados no evento; colombiana Catalina Botero recebe prêmio ‘ANJ Liberdade de Imprensa’.

Estratégias

Dentro da ideia de romper padrões de interação com o leitor, Ken Doctor, presidente do Newsonomics, falará de inovações que podem estabelecer novos modelos de negócios no setor de comunicação.

Campanha

Desenvolvida pela Lew’Lara\TBWA, uma campanha publicitária vai reposicionar os jornais brasileiros e mostrar sua relevância mesmo na era das redes sociais. A apresentação será do CEO da agência, Luiz Lara.

Novos rumos

Dirigentes dos quatro maiores jornais do País (O Estado de S. Paulo, ‘Folha de S. Paulo, ‘O Globo’ e ‘Zero Hora’) vão debater a importância e reafirmar o compromisso em relação ao novo posicionamento.