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Juros e incertezas afastam empresas do crédito

O Estado de S.Paulo

28 Agosto 2014 | 02h 02

As empresas tomaram R$ 16,1 bilhões a menos de crédito entre junho e julho. O total caiu de R$ 156,9 bilhões para R$ 140,8 bilhões, montante inferior, inclusive, ao de julho de 2013. A pouca disposição de buscar financiamentos também alcançou as pessoas físicas, que tomaram apenas R$ 3,4 bilhões a mais no mesmo período. É o efeito de uma combinação de fatores negativos, como o aumento dos juros e dos spreads bancários (diferença entre o custo de captação e o custo de aplicação), a queda da confiança das empresas e dos consumidores no futuro e a desaceleração da economia.

Só houve um leve aumento dos saldos de empréstimos (+0,2% no mês), atingindo R$ 2,835 trilhões, porque estes embutem os juros acrescidos mensalmente. Mesmo crescendo em valor, esses saldos diminuíram 0,2 ponto porcentual em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), de 56,3% para 56,1%. A debandada dos tomadores foi significativa nas operações de crédito livre das empresas, que diminuíram R$ 11,7 bilhões (-8,9%) em relação a junho, enquanto as concessões às pessoas físicas cresceram 3,9% no mês.

Mas, com exceção do crédito rural e do crédito imobiliário, também houve redução nas operações direcionadas, em que os custos são inferiores aos de mercado. As concessões para pessoas jurídicas diminuíram 17,1% (-R$ 4,4 bilhões) e para pessoas físicas, 9,4% (R$ 2,1 bilhões). Mas os saldos cresceram 6,7% para jurídicas e 12,9% para físicas neste ano e 14,7% e 27,3%, respectivamente, em 12 meses.

Empresas e famílias estão cada vez mais endividadas com os bancos públicos, cujo peso nos saldos de empréstimos atingiu 52,9%, ou R$ 1,5 trilhão, mais 7,9% neste ano e 16,6% em 12 meses. Nos bancos privados nacionais houve queda de 0,2% no mês passado e crescimento dos saldos de apenas 6,4% em 12 meses; nos bancos estrangeiros, houve declínio mensal de 0,7% e avanço de 5,4% em 12 meses.

A qualidade do crédito também está piorando, como se constata pelo aumento de 14,7% (ou R$ 3 bilhões), neste ano, nas operações das pessoas físicas com cheque especial, cujo custo aumentou de 147,9% ao ano em dezembro para 172,4% ao ano em julho. Não se estranhe, assim, que a inadimplência das pessoas físicas no cheque especial rotativo supere os 35%.

A fuga do crédito explica por que o governo liberou recursos para os bancos. Mas a alta de juros restringe a disposição dos tomadores.

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