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Lacuna de investimento em infraestrutura é maior no Brasil do que no México, diz Moody's

Sergio Caldas - Agência Estado

26 Junho 2014 | 14h 10

No Brasil, lacuna é estimada em cerca de 6,4 pontos porcentuais do PIB, o equivalente a US$ 140 bilhões; no México, essa lacuna seria de 4,7 pontos do PIB local, ou mais de US$ 62 bilhões

SÃO PAULO - Os investimentos em infraestrutura no Brasil e México estão atrasados em diferentes níveis em segmentos variados, segundo relatório da agência de classificação de risco Moody's.

Apesar de Brasil e México terem registrado aumentos e contrações similares nesse tipo de investimento desde o começo da década de 1970, os países têm cenários diferentes de onde o financiamento de infraestrutura tem sido mais falho, afirma a Moody's no relatório.

De modo geral, a Moody's avalia que o Brasil apresenta a maior lacuna nos investimentos em infraestrutura, estimada em cerca de 6,4 pontos porcentuais de seu Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a US$ 140 bilhões. No caso do México, essa lacuna seria de 4,7 pontos do PIB local, ou mais de US$ 62 bilhões.

No período entre 1971 e 2012, os investimentos totais em infraestrutura no Brasil atingiram uma média de 3,4% do PIB. Apenas entre 1990 e 2012, porém, essa relação foi equivalente a cerca de metade da verificada entre 1971 e 1980. Em 2012, a Moody's calcula que os investimentos no País foram de US$ 52 bilhões.

"Todas as estimativas mostram uma queda significativa no estoque de infraestrutura em relação ao PIB no Brasil desde o pico de cerca de 25 pontos a 35 pontos porcentuais visto nas décadas de 1980 e 1990", comentou Lúcio Vinhas da Souza, diretor-gerente e economista chefe de ratings soberanos da Moody's.

No México, a média dos investimentos em infraestrutura em relação ao PIB foi de 1,8% entre 1971 e 2012, com o total de 2012 estimado em aproximadamente US$ 22 bilhões.

Segundo a Moody's, as lacunas de investimento não refletem tendências sistêmicas no Brasil ou México, mas são específicas de diferentes setores de cada país. Não há lacunas aparentes, por exemplo, na infraestrutura de telecomunicações de nenhum país. No Brasil, o estoque de infraestrutura de telecomunicações dobrou em valor entre 1990 e 2012, ultrapassando 10% do PIB.

Os setores com grandes lacunas aparentes no México incluem a capacidade de produção de energia e no Brasil, a infraestrutura de transportes, disse a Moody's.