HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Lançamentos e vendas de imóveis caem 60% em São Paulo

Pesquisa do Secovi-SP mostra que foram lançadas 825 unidades em julho, menor nível para o mês desde 2005

Hugo Passarelli, O Estado de S. Paulo

11 Setembro 2015 | 07h00

O mercado imobiliário da cidade de São Paulo manteve o pé no freio no mês de julho. As vendas e lançamentos de imóveis residenciais despencaram quase 60% em relação ao desempenho de junho e bateram novos recordes negativos, de acordo com pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi-SP).

Na capital paulista, foram comercializados 1.042 residenciais novos, contra 2.588 em junho, o menor patamar para o mês desde 2004.

Já os lançamentos atingiram 825 unidades, contra uma média de 2 mil para o mês nos últimos cinco anos, nível que não era observado desde julho de 2005.

“A crise de confiança da economia afeta o mercado imobiliário nas duas pontas. Os empresários não têm segurança para lançar empreendimentos. Os consumidores ouvem todo dia notícias negativas e não têm certeza mais sobre a estabilidade do emprego”, avalia Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP.

No acumulado do ano, há praticamente um empate entre o número de imóveis vendidos e a entrada de unidades no mercado: 10.478 unidades lançadas e 10.700 comercializadas.

O cenário é bem diferente do observado no ano passado, quando os lançamentos somavam 12.901 unidades, mostrando uma folga de 31,7% em relação às vendas (9.790 unidades).

Na avaliação de Petrucci, o fraco desempenho nos lançamentos acaba influenciando as vendas. Ele sustenta que o maior volume de negócios fechados ocorre justamente na estreia dos empreendimentos, onde há maior esforço de marketing.

Apesar do desempenho fraco, o economista diz que ainda espera resultados melhores para o segundo semestre, historicamente mais movimentado do que o início do ano.

Por isso, Petrucci manteve as projeções da entidade, revisadas em abril, que apontam para a entrada de 25 e 26 mil novas unidades no mercado e um volume de vendas entre 18 mil e 19 mil imóveis.

Valor baixo. Além do desaquecimento do setor imobiliário, chama a atenção a preferência dos consumidores por imóveis com preço mais reduzido. “O que o mercado está vendendo hoje são os produtos com um tíquete médio mais baixo, para quem tem necessidade de compra efetivamente”, diz.

Em julho, 81,2% dos imóveis comercializados eram de um ou dois dormitórios. No caso do dois dormitórios, que responderam por quase metade das vendas e lideraram em participação, o preço médio foi de R$ 358 mil.

O economista ainda avaliou que a terceira fase do Minha Casa Minha Vida, lançada sem alarde pelo governo na quinta-feira, 10, pode dar algum impulso ao setor imobiliário. “Esperamos que o programa tenha o mesmo efeito contracíclico de quando foi lançado.”

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