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Limites ao endividamento afetam comércio varejista

O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2014 | 02h 04

A alta dos juros no crediário aumentou o valor das prestações e limitou as compras a prazo dos consumidores, e os que insistirem estarão mais sujeitos ao risco de inadimplência, como mostrou reportagem de Márcia de Chiara, no Estado de ontem. Trata-se de uma restrição tanto para os trabalhadores como para o comércio varejista, que, segundo os últimos dados do IBGE, deixou de crescer no final do primeiro semestre.

Estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostrou que, ao tomar um empréstimo de R$ 1 mil, com os juros e os prazos médios indicados pelo Banco Central, a prestação média, que era de R$ 38,54 em junho do ano passado, passou para R$ 39,87 em junho de 2014. Aparentemente pequena - de 3,5% -, a diferença se assemelha à do aumento da massa salarial dos trabalhadores formais (3,6%, entre junho de 2013 e junho de 2014). Se o juro continuar a subir, acredita o economista da CNC Fábio Bentes, a prestação poderá não caber mais na renda do trabalhador.

De fato, os salários têm de ser suficientes para muito mais - a prestação da casa própria ou o aluguel, a escola dos filhos, o automóvel, o plano de saúde e os serviços básicos: energia, água e telefone. E não foi apenas a prestação devida ao banco que aumentou; também a conta de luz ficou mais cara, por exemplo.

Por enquanto, a inadimplência nos bancos é estável, segundo o Banco Central. Mas ela tende a crescer, como já vêm mostrando outros parâmetros, entre os quais a elevação das emissões de cheques sem fundos, o número e o valor dos títulos protestados e os atrasos no pagamento às concessionárias de serviços públicos.

É evidente que as vendas do varejo poderiam ganhar fôlego se os consumidores retomassem o otimismo. Mas essa hipótese é pouco plausível, porque os economistas já se referem a uma economia à beira da recessão e há sinais de desaceleração até no mercado de trabalho, que, até agora, sustentou o padrão de consumo.

Embora os sintomas de desaquecimento da atividade sejam generalizados, é justamente na indústria - que paga os melhores salários - que as condições de obtenção de emprego estão piores. Isso já ameaça as vendas do varejo, pois, como avalia a CNC, o maior risco do comércio "está ligado ao desemprego". Na melhor das hipóteses, o ritmo do comércio será estável até o fim do ano, pois, além do emprego em baixa, as negociações salariais tendem a ser piores que as de 2013.

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