Livro ensina como contratar um bom advogado

Contratar um advogado torna-se penoso para quem não tem a menor afinidade com a área jurídica. Muitas vezes, não se sabe nem por onde começar e o fator decisivo acaba sendo apenas o econômico. No entanto, há outros fatores que devem ser analisados, como experiência em casos semelhantes ao que se quer contratar. Sabendo dessa dificuldade, o advogado Ernesto Lippmann lançou o livro "Defenda Direito Seus Direitos - como escolher um bom advogado". Com uma linguagem clara e direta, ele oferece ao leitor uma prévia do universo jurídico e esclarece diversos aspectos da relação entre cliente e advogado. Lippmann não só explica os procedimentos corretos como também utiliza exemplos concretos baseados em sua própria experiência e em entrevistas com outros advogados, juízes, promotores, procuradores e clientes. O primeiro passo para se contratar um bom advogado, segundo ele, é procurar profissionais recomendados por quem teve um caso semelhante e ficou satisfeito com o resultado. "É necessário contar com um profissional competente. Uma boa contratação é meio caminho andado para convencer o juiz de seus direitos." E, a primeira coisa a ser avaliada, ainda segundo ele, é a empatia com o profissional. Advogado deve ponderar chances de vitória O cliente também deve reparar se o advogado pondera as chances de obter sucesso na ação, recomenda Lippmann. "Não há como prometer resultados garantidos. O cliente deve desconfiar. O bom profissional avalia as reais chances de se ganhar um processo, com base no caso relatado e nas provas apresentadas." Ele ressalta ainda que o diálogo precisa ser claro e direto. Ou seja, o advogado deve se preocupar com o entendimento de seu cliente e explicar tudo o que pode acontecer no andamento do processo. Uma das questões conflitantes é a do pagamento de honorários advocatícios. Lippmann explica não só de que forma eles devem ser cobrados, mas também as obrigações do "bom" profissional na cobrança. "Não se pode cobrar antecipado, exceto nas causas criminais. E o advogado, sem o cliente pedir, deve apresentar um orçamento por escrito e o contrato de honorários. Essa é a garantia de que o preço não aumentará." No livro, o advogado ensina todos os meios de recorrer à Justiça gratuitamente. Como boa parte da Justiça está informatizada, Lippmann recomenda ao cliente pedir o número do processo e o endereço da página na rede para, ele mesmo, acompanhar o andamento de sua ação. "Pedir para o advogado fazer uma demonstração e, em caso de dúvida, ligar e perguntar." A leitura serve ainda àqueles que já têm processo na Justiça para consultar os termos jurídicos e os trâmites da ação desde o início até os recursos a tribunais superiores. Algumas arapucas Lippmann alerta o leitor a como evitar arapucas na contratação. "Deve-se desconfiar do advogado especializado em tudo, pois não há como dominar todas as áreas; evitar os dublês como advogado corretor de seguros, advogado dono de imobiliária etc.; não entrar em associações de vítima, pois, muitas vezes, não passam de fachada para beneficiar uma advogado ou um escritório." Mas ressalta que há entidades sérias como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Ele dedica um capítulo à advocacia preventiva, como a análise de um contrato antes de sua assinatura. Outro ponto importante no livro é como o cliente pode responsabilizar o advogado se ele foi desonesto e negligente, entrando com uma representação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). "O ideal seria que a OAB tivesse um cadastro público de acesso fácil para que todos pudessem consultar antes de escolher seu advogado." O livro "Defenda Direito Seus Direitos - como escolher um bom advogado", de Ernesto Lippmann, tem 230 páginas, pode ser encontrado em qualquer livraria e custa R$ 20.

Agencia Estado,

03 Outubro 2002 | 15h45

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