Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Lojista diz que, se não baixar valores, não consegue vender

Consumidores de bens e serviços de informática já notam preços menores na comparação com o ano passado

Nicholas Shores, O Estado de S.Paulo

08 Novembro 2017 | 00h06

As despesas do fotógrafo Wagner Olegário, de 37 anos, para armazenar as imagens produzidas em seus trabalhos trazem um retrato da variação de preços de equipamentos de informática de um ano para cá. O mesmo modelo de disco rígido (HD) externo com capacidade de 4 terabytes pelo qual ele diz ter pago R$ 650 em 2016 custa hoje R$ 500, uma queda de 23%. Em 2015, afirma Olegário, esse preço estava na casa dos R$ 550.

O alívio em um dos custos fixos de seu orçamento contribui para que o fotógrafo espere em 2017 um Natal melhor que o do ano passado. “Está sobrando um pouco mais para gastar nas compras de fim de ano”, diz.

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A sensação de ter mais poder de compra não é compartilhada pela administradora Ana Cristina Dias, de 35 anos. Para ela, os preços de celulares se mantiveram estáveis, mas a renda “não aumentou”. “Antes, tinha mais facilidade de adquirir um aparelho. Neste Natal, vou ter de reduzir a quantidade das compras e ficar só no essencial”, afirma.

O pensamento vai ao encontro da avaliação do vendedor Bruno Araújo, de 26 anos, de que neste mês o movimento nas lojas está “mais devagar” que no mesmo período do ano passado. Ele trabalha em um quiosque de equipamentos de som e acessórios para celulares. “O pessoal tem economizado muito e quer comprar coisas boas e muito baratas. Aí fica difícil.”

Administrador de outro quiosque no mesmo espaço na Avenida Paulista, Renato Han, de 33 anos, diz que a demanda reduzida o levou a diminuir o preço de acessórios para celulares em até 20%. “O pessoal ‘chora’ muito. Se não baixar, não vende.”

Han afirma que o barateamento dos produtos de sua loja tem de respeitar a manutenção de uma margem de, no mínimo, 15% sobre cada item. “Preciso pagar aluguel e funcionário.”

No segmento de serviços de informática, a balança dos preços parece estar no meio termo. Dono de uma empresa de confecções, Marcos Dutra, de 40 anos, recorre com frequência a um serviço de manutenção de impressoras. Diante do cenário de inflação dos últimos anos, ele já vê como favorável o fato de que não sentiu aumento no preço do serviço em comparação ao ano passado. Para que a sensação positiva se repita no Natal, a estratégia é pesquisar. “Já vou para as lojas com uma ideia de preço.”

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