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Lucro do Santander Brasil cresce 13,2% em 2015 e soma R$ 6,6 bi

- Atualizado: 27 Janeiro 2016 | 10h 32

País respondeu por 19% do lucro do banco espanhol e manteve-se como a segunda subsidiária mais lucrativa

Receitas de serviços e tarifas cresceram 7,3% em 2015 e somaram R$ 11,9 bilhões

Receitas de serviços e tarifas cresceram 7,3% em 2015 e somaram R$ 11,9 bilhões

SÃO PAULO - O Santander Brasil inaugurou a temporada de balanços dos grandes bancos de capital aberto ao anunciar um lucro líquido gerencial (que não exclui o ágio da compra do Real) de R$ 6,6 bilhões em 2015, um aumento de 13,2% em relação a 2014.

As receitas de serviços e tarifas alcançaram R$ 11,9 bilhões no ano passado, montante 7,3% maior que o registrado em 2014. O destaque ficou para serviços de conta corrente, seguros, crédito e cobrança - todas com crescimento superior a 10% no período. 

O balanço traz também os dados do quarto trimestre de 2015: o lucro líquido gerencial foi de R$ 1,6 bilhão, 5,65% maior que o resultado de um ano antes. Em relação aos três meses anteriores, houve queda de 5,9%.

"Registramos um crescimento razoável no Brasil, enquanto temos custos controlados, mesmo com a inflação perto de 10%", destacou o executivo-chefe do Santander Brasil, José Antonio Álvarez.

Pelo resultado divulgado na Espanha, a filial gerou lucro de € 1,6 bilhão para o grupo, alta de 13,5% na comparação com 2014. Assim, o País respondeu por 19% do lucro da empresa no ano passado - mesma fatia de 2014 - mantendo-se como a segunda subsidiária mais lucrativa, atrás do Reino Unido, responsável por 23% do lucro do ano.

A presidente do conselho do banco, Ana Botín, reafirmou a aposta no Brasil. "Há oportunidades para o nosso negócio e não apenas em empréstimos. Podemos aumentar a lealdade dos nossos clientes com mais satisfação. Estamos andando para um novo modelo que gera melhor resultado mesmo em um ambiente mais difícil", disse. "Podemos melhorar a filial mesmo em um ambiente macroeconômico difícil em 2016 e 2017".

Entre as oportunidades citadas pela executiva da família fundadora do banco, está a meta de atingir 10% do mercado brasileiro no médio prazo e a perspectiva de fechar o ano com crescimento de 12% no número de clientes - universo que o banco promete aumentar para 3,6 milhões de clientes. "E sem perder o foco nos gastos e na qualidade do crédito e ainda manter o lucro com crescimento em moeda local em 2016", disse Ana Botín. 

Inadimplência. O indicador de inadimplência, considerando atrasos acima de 90 dias, ficou estável no quarto trimestre de 2015, em 3,2%. Trata-se do segundo trimestre consecutivo que o índice permanece neste patamar. Em um ano, os calotes tiveram melhora de 0,1 ponto porcentual. 

Porém, a inadimplência de curto prazo, que leva em contra atrasos entre 15 e 90 dias, teve piora de 0,7 p.p em dezembro ante setembro - para 5%. Em um ano, a deterioração da qualidade dos ativos foi ainda pior: os calotes subiram 0,9 p.p.

"A piora no indicador foi decorrente da pessoa jurídica que apresentou evolução de 1,8 p.p. em doze meses e de 1,6 p.p. no trimestre, atingindo 4,0%. A evolução neste indicador está impactada pela inclusão de casos pontuais e não se refere a uma piora generalizada do segmento", explica o Santander, em suas demonstrações financeiras.

As despesas de provisão para créditos de liquidação duvidosa, as chamadas PDDs, do Santander totalizaram R$ 3,497 bilhões no quarto trimestre de 2015, aumento de 25,12% em um ano.

O banco aumentou as provisões para operações de crédito no Brasil especialmente para cobrir eventual calote de empresas investigadas pela operação Lava Jato. A informação foi dada por Álvarez. Segundo o executivo, diante dessa razão especifica para a provisão, essa reserva contra calote não deve se repetir nos próximos trimestres.

Crédito. A carteira de crédito ampliada do banco totalizou R$ 330,9 bilhões ao final de dezembro, retração de 0,3% na comparação com setembro. Em um ano, foi visto avanço de 6,6%.

"No crédito, tivemos uma mudança significativa da dinâmica nos últimos dois anos. Mudamos das operações menos seguras para créditos mais seguros, o que explica nossa melhora da qualidade no Brasil", disse Álvarez, ao apresentar quadro que mostra que o financiamento ao consumo - considerado mais arriscado - diminuiu 7% no Santander Brasil, enquanto as hipotecas cresceram 21% e o crédito às grandes empresas avançou 14% - linhas com menor risco de calote.

Ana Botín avalia que a qualidade do crédito poderá sofrer deterioração no Brasil diante da evolução negativa da economia. Apesar disso, a executiva que comanda a maior instituição financeira da Espanha acredita que o aumento dos spreads bancários - margem cobrada pelo banco nos empréstimos - deve compensar o maior risco de calote.

"Pode haver alguma deterioração do crédito, mas spreads devem compensar", disse durante teleconferência com investidores e analistas. A perspectiva de aumento do spread também foi citado por Álvarez. "Em um ambiente difícil, estamos relativamente confortáveis para entregar lucros com aumento de um dígito em moeda local", disse.

De acordo com os números do balanço, o Santander encerrou dezembro com R$ 677,45 bilhões em ativos totais, cifra 14,8% maior que a registrada um ano antes. Na comparação com o terceiro trimestre de 2015, o montante foi 3,6% inferior.

Já o patrimônio líquido alcançou R$ 50,673 bilhões ao término de dezembro, elevação de 0,4% ante um ano antes. Em relação à cifra de setembro, foi identificada queda de 4,3%. O retorno sobre o patrimônio líquido do banco (ROE, na sigla em inglês), excluindo o ágio, ficou em 12,4% no quarto trimestre contra indicador de 12,8% nos três meses anteriores. Em um ano, teve melhora de 1,3 ponto porcentual.

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