Maggi mudará estrutura de fiscalização de frigoríficos

Ideia, segundo contou à coluna o ministro, é simplificar o processo de inspeção do abate e de processamento da carne

O Estado de S. Paulo

31 Julho 2017 | 05h42

O Ministério da Agricultura deve publicar nesta semana uma portaria com mudanças na fiscalização dos frigoríficos. A ideia, segundo contou à coluna o ministro Blairo Maggi, é simplificar o processo de inspeção do abate e de processamento da carne. “Serão várias alterações na estrutura da fiscalização. Os últimos arredondamentos políticos estão sendo feitos.” Na avaliação do ministro, o momento é favorável para mexer na estrutura sanitária, pela necessidade de atacar problemas que surgiram neste ano. Ele se refere à Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, em março, que provocou questionamento da União Europeia, e à suspensão das compras de carne bovina in natura pelos Estados Unidos. Tudo isso trouxe oportunidades para a revisão em procedimentos, diz Maggi.

Contratações. Entre as mudanças já anunciadas pelo Ministério da Agricultura está a contratação temporária de 300 veterinários para fiscalizar frigoríficos. A vacina contra a aftosa, apontada como a causadora de abscessos na carne vetada pelos EUA, também será revista. O Ministério deve enxugar a estrutura da fiscalização, com corte de cargos, muitos deles indicados por políticos. Pode também criar uma corregedoria para investigar possíveis irregularidades praticadas por fiscais. 

Vinde a mim. O setor da proteína animal aposta suas fichas no Salão Internacional de Avicultura e Suinocultura (Siavs) para melhorar a imagem da carne brasileira. O convite à imprensa internacional foi reforçado para o evento que acontece entre 29 e 31 de agosto, em São Paulo. E a resposta já veio: mais de 50 jornalistas estrangeiros confirmaram presença, entre eles correspondentes de China, México e EUA.

Andar de cima. O Itaú BBA está atraindo grandes produtores rurais e estima que sua carteira de crédito vai chegar a R$ 3,7 bilhões no fim do ano, mais que o dobro de 2016. Pedro Fernandes assumiu a diretoria de Agronegócios com a tarefa de elevar a participação do banco no financiamento desses clientes de 17% para 25% em dois anos. Hoje o Itaú BBA atende 300 grandes produtores com faturamento anual superior a R$ 30 milhões, de um universo de 700 com esse perfil no Brasil. Dos R$ 35 bilhões tomados pelos 700, o Itaú BBA emprestou 8,5%.

Portfólio. Fernandes diz que o crescimento virá da maior oferta de produtos em real e em dólar, já que a capilaridade do Itaú garante captação superior à de bancos estrangeiros. Além disso, já é aceita a mesma garantia para custeio de várias safras. Consultoria individualizada em investimentos e operações de hedge também é atrativo do banco. 

Agora vai? O Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) deve começar obras de expansão e adequação de sua estrutura, que absorverão R$ 540 milhões até 2018. O trabalho deveria ter começado no início do ano mas atrasou por falta de licença ambiental. Outros R$ 550 milhões serão investidos entre 2018 e 2049. Hoje, 93% da carga movimentada no TCP corresponde a carnes e frutos do mar.

Pecuaristas unidos. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) elabora um plano de negócios para pecuaristas de Mato Grosso que pretendem reativar até 15 frigoríficos. A ideia, que tomou corpo após a delação dos irmãos Batista, é diminuir a dependência do setor da JBS, que domina os abates na região. 

Cooperativas. O coordenador do Centro de Agronegócios da FGV, Roberto Rodrigues, confirma que a instituição arregaçou as mangas para ajudar os pecuaristas. Para ele, o ideal é aproveitar as cooperativas que já existem e não criar uma nova.

Esalqshow. A Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, em Piracicaba (SP), sedia em outubro evento para fomentar a inovação e o empreendedorismo na agricultura. Luiz Gustavo Nussio, diretor da Esalq/USP, quer debater bioeconomia, integração lavoura pecuária e floresta, controle biológico de pragas e agricultura de precisão.

Hermanos. A AGCO pretende aumentar sua participação no mercado argentino. Em 2016, a fatia da empresa no país era de 32%, e a meta para 2017 é chegar a 40%, disse à coluna o diretor de marketing da empresa para a América do Sul, Alfredo Jobke. No ano até agora, essa participação já está acima de 35% .

Demanda externa. A Aurora Alimentos, de Chapecó (SC), aumentará em 9% o abate diário de suínos nos próximos 12 meses. A operação das quatro plantas será expandida para atender à demanda externa pela proteína. No primeiro semestre o Estado vendeu 43% mais ao exterior.

COM LETÍCIA PAKULSKI

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