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Blairo Maggi nega ter colocado cargo à disposição

Em entrevista ao 'Broadcast', ministro da Agricultura nega acusações e fala das dificuldades da Pasta

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Gustavo Porto e Camila Turtelli ,
Broadcast

20 Abril 2017 | 12h30

RIBEIRÃO PRETO E SÃO PAULO - O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, comentou brevemente a conversa que teve com Temer após o surgimento do seu nome nas delações da Odebrecht, repetiu que está constrangido e negou as acusações. "Não cheguei a colocar meu cargo à disposição; disse a ele (Temer) para ficar à vontade", concluiu.

Maggi, admitiu, em entrevista Ao Vivo ao Broadcast Agro, notícias em tempo real do Grupo Estado, as dificuldades de sua Pasta na negociação para reduzir a taxa de juros controlados para o financiamento agrícola e pecuário. Segundo ele, quando o assunto é o juro, "existem dois governos: o da parte econômica e o agrícola", ambos com visões diferentes. "Quanto menos juros melhor. O problema é que temos a parte econômica que quer cobrar juros mais caros", afirmou.

O ministro ainda afirmou que as taxas para o Plano Agrícola e Pecuário 2017/2018, programa normalmente apresentado em junho, ainda estão em discussão dentro do governo, mas avaliou que não há como pagar juros de 12,75% ao ano. Esse porcentual é o máximo em vigência no atual período 2016/17 para financiamentos de longo prazo. Já a proposta de atrelar os juros agrícolas à taxa básica de juros (Selic) - que está em queda, mas que é variável e pode subir para controlar a inflação - chegou a ser posta à mesa de discussão, mas o assunto não está mais em pauta de acordo com o ministro.

Carne Fraca. Para o ministro, a grande dúvida após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que completou um mês esta semana, é como o consumidor estrangeiro se comportará em relação ao produto brasileiro a partir de agora. "É a grande interrogação". Esta incógnita dificulta o cálculo dos prejuízos que devem ainda serem amargados pelo setor. Ele comentou sobre casos como o de uma imagem, que circulou nas redes sociais, de uma lanchonete em Hong Kong com um aviso na entrada aos clientes de que o local não serve carne brasileira. Para ele, isso deve ser trabalhado com tranquilidade.

Maggi reafirmou que o sistema de vigilância sanitário brasileiro é "robusto" e compartilhado com outros países e o que Brasil foi rápido para prestar todos os esclarecimentos aos importadores. Atualmente, dos 39 países que suspenderam as compras, 16 ainda negociam a reabertura. Dos que já voltaram às negociações, o ministro citou alguns revezes, como é o caso de Hong Kong que reduziu o preço médio pago à carne suína brasileira em cerca de 3%, segundo ele.

O ministro tem agora uma agenda diplomática para mitigar estes efeitos e deve viajar ao Oriente Médio e Ásia na segunda semana de maio. Por aqui, ele segue participando de encontros com autoridades internacionais e recebeu nesta semana a visita do vice-ministro da Agricultura da Rússia para consolidar a parceria comercial e ampliar mercados. "Tivemos uma excelente conversa", afirmou. Ele também disse estar dialogando com as autoridades mexicanas para venda de soja, milho e carne suína, embora não tenha ainda uma agenda oficial.

Funrual. Na entrevista, Maggi mostrou preocupação com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de determinar o retorno do recolhimento da alíquota de 2,3% do Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) pelos produtores rurais sobre o faturamento bruto nas operações de venda de produtos agrícolas e pecuários. Segundo ele, produtores com liminares judiciais que não recolheram o Funrural e que poderão ter de pagar o imposto retroativo aos últimos cinco anos, podem comprometer o correspondente a 25% da renda obtida no ano passado, por exemplo, caso tenham de pagar o valor integral em 2017. Uma saída, de acordo com o ministro, seria a criação de um programa de refinanciamento dessa dívida, "um tipo de Refis", mas o assunto só deve ser discutido após a publicação do acórdão.

Maggi confirmou ainda a visita dele e do presidente Michel Temer à ExpoZebu, cuja abertura oficial será no dia 29 de abril, em Uberaba (MG), e ainda à Agrishow, em 1º de maio, em Ribeirão Preto (SP). Maggi disse que permanecerá no interior de São Paulo após visitar a Agrishow para conhecer usinas produtoras de açúcar e etanol, bem como conversar com produtores de cana. 

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