Maioria dos analistas prevê manutenção da Selic

A maior parte do mercado acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai anunciar hoje a manutenção dos juros básicos em 19% ao ano, mas já há quem defenda um corte da taxa básica de juros - Selic -, por causa das boas notícias que têm surgido nas últimas semanas - como o recuo do dólar e a perspectiva de um reajuste das tarifas de energia em 2002 menor do que o esperado. Essa posição, no entanto, ainda é minoritária. A economista Camila de Faria Lima, do Banco Santander, é uma das que apostam que a Selic vai continuar em 19%, principalmente por causa do comportamento do núcleo do IPCA, que serve como indicador mais confiável da tendência futura da inflação. O índice cheio caiu de 0,83% em outubro para 0,71% em novembro, mas o núcleo subiu de 0,57% para 0,77%, o que equivale a 9,64% em termos anualizados. O Crédit Suisse First Boston (CSFB) Garantia também acredita na manutenção da Selic. Para o banco, o BC deve ser conservador, ainda que o dólar tenha caído de R$ 2,54 para R$ 2,325 na desde a última reunião do Copom. "A incerteza em relação ao comportamento dos preços administrados e o fato de o IPCA em 12 meses acumular uma variação de 7,4%, acima do teto da meta de 2002, de 5,5%, exigem cautela na condução da política monetária", afirma o relatório do CSFB Garantia. O economista-chefe do ABN-AMRO Bank, Mário Mesquita, também entende que o Copom não deve mexer na Selic. Ele lembra que as expectativas do mercado para a inflação de 2002 continuam bem acima do centro da meta, definido em 3,5%, com tolerância de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. A última pesquisa semanal do BC com bancos e consultorias mostra que os analistas estimam um IPCA de 5,03% em 2002. Possibilidade de redução O economista-sênior do BankBoston, Marcelo Cypriano, vai na contramão do mercado, acreditando que há espaço para o Copom reduzir os juros. Para ele, a abertura do mercado de petróleo, a redução do porcentual de correção da tarifa de energia elétrica para 2002 de 30% para 19,9% e apreciação cambial são alguns dos fatores que permitem a queda da Selic. De acordo com o economista, em razão da liberalização do mercado de petróleo, a gasolina deverá ter seu preço reduzido em 20% no decorrer do próximo ano. Os derivados de petróleo, como um todo, deverão recuar em torno de 10% no ano. "No primeiro trimestre a queda será mais intensa, em torno de 14%. Depois deverá apresentar uma ligeira recuperação porque o preço do petróleo, que está no piso, não deverá se manter assim", diz Cypriano, acrescentando que estas três variáveis já propiciam um espaço mais que suficiente para que o Copom reduza a taxa de juros. "As condições estão dadas. Basta o BC definir se dará o corte agora ou se o fará com mais intensidade no começo do próximo ano".

Agencia Estado,

19 Dezembro 2001 | 09h02

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