Mais álcool na gasolina não prejudica veículos

O Ministério da Agricultura anuncia a partir do dia 10 de janeiro o aumento de 22% para 24% de álcool anidro na composição da gasolina. Segundo a informação da assessoria de comunicação do Ministério da Agricultura, a portaria contendo a mudança foi assinada ontem pelo ministro Pratini de Moraes, presidente do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), e será publicada no Diário Oficial de hoje, dia 11. Especialistas em combustíveis e motores da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT-SP) avaliam que a mudança não afetará o desempenho dos veículos brasileiros. "Os veículos têm seus motores calibrados para receberem gasolina com uma porcentagem de álcool anidro que varia entre 20% e 26%", afirma o presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea, Henry Joseph Júnior. Porém, segundo Henry, se a mistura ultrapassar os 26%, o carro pode apresentar problemas de consumo e de defeito de peças a longo prazo. Henry, que também é gerente do laboratório físico-químico da Volkswagen no Brasil, avisa que, se a mistura do álcool anidro na gasolina ultrapassar os 26%, o combustível é considerado "pobre". "O limite de tolerância da mistura do álcool na gasolina é de 26%. Se a mistura ultrapassar este porcentual o veículo pode apresentar problemas", alerta. O presidente da Comissão de Energia e Meio Ambiente da Anfavea ressalta que o carro pode apresentar problemas de acordo com seu tempo de uso e grau de manutenção. A composição da gasolina com 22% de álcool anidro vigora desde maio do ano passado. Originalmente esse porcentual era de 20%. Os aumentos foram feitos a pedido do setor privado para evitar queda nos preços do segmento alcooleiro. Consumo O chefe de laboratório de motores do IPT-SP, Silvio Figueiredo, alerta que o aumento do teor de álcool na gasolina pode provocar um pequeno aumento no consumo de combustível. "Esta alteração vai afetar muito pouco o consumo de combustível. Depende muito da manutenção do veículo e do comportamento do motorista na direção", explica. Figueiredo destaca que esta alteração no combustível não deve afetar as peças e motor do veículo. "As montadoras fabricam peças resistentes ao álcool. A alteração não deve afetar o desempenho dos veículos", afirma o chefe de laboratório de motores do IPT-SP.

Agencia Estado,

11 Dezembro 2001 | 12h27

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.