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Mantega nega relação entre alta de ações e pesquisas

Agencia Estado

09 Abril 2014 | 21h 29

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, rejeitou a tese de que o mercado acionário avança à medida que caem as intenções de voto na presidente Dilma Rousseff para as eleições presidenciais deste ano. Em entrevista à Dow Jones, o ministro também defendeu as políticas econômicas adotadas pelo governo e afirmou que a Standard & Poor''s errou ao rebaixar o rating de longo prazo do Brasil para BBB- no fim de março.

"A teoria de que o mercado acionário subiu porque Dilma caiu nas pesquisas não é sustentável. Toda pesquisa continua a dizer que ela será vitoriosa", afirmou durante entrevista em Nova York antes de comparecer a uma reunião no Fundo Monetário Internacional (FMI). Para o ministro, a alta na Bolsa se deve a outros fatores, mas não forneceu mais detalhes.

Mantega rebateu as críticas à condução da política econômica pelo governo e projetou uma melhora à medida que o cenário global também se mostrar mais otimista. "Nós estamos fazendo o que é possível com um cenário internacional que é muito difícil. A crise está sendo superada. Isso significa que o mercado global se recuperará e o comércio internacional voltará a crescer", disse.

Nesse contexto, o Brasil deve receber mais investimentos estrangeiros. "Assim que a taxa de câmbio estabilizou, se tornou mais conveniente investir no Brasil", disse, ao completar que os mercados emergentes irão voltar a crescer a um ritmo mais forte que os desenvolvidos. Ele também rejeitou as críticas durante os preparativos para a Copa do Mundo e disse acreditar que o evento "está sendo politizado".

Ao falar sobre a S&P, Mantega avaliou que a agência de classificação de risco errou ao rebaixar a nota soberana do Brasil. Um sinal de que a decisão foi um erro é que o dólar depreciou em relação ao real e o mercado acionário subiu na semana em que foi anunciado o corte, disse.

Para o ministro, a piora no ritmo de crescimento brasileiro, que foi uma das críticas feitas pela S&P, se deve à economia global, que ainda sente os reflexos da crise de 2008. Mantega ressaltou que o governo da presidente Dilma Rousseff anunciou grandes pacotes de estímulos para evitar uma desaceleração ainda mais forte.

No cenário inflacionário, Mantega projetou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) irá perder força a partir do próximo mês, quando a alta nos preços no setor alimentício começarem a desacelerar. "Nós estamos no pico da inflação", disse. O IPCA de março, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) hoje cedo, mostrou alta de 6,15% no acumulado em 12 meses, próximo ao teto da meta estipulada pelo governo, de 6,50%.

Mantega explicou que os preços subiram recentemente por causa da forte seca no centro-oeste e no sudeste do Brasil. "Os preços das frutas e dos vegetais permanecerão elevados por mais um mês e então começarão a cair. Mas isso depende do nível das chuvas", afirmou. Fonte: Dow Jones Newswires.

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