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Mantega prevê PIB ‘um pouco maior’ em 2014

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes - Agência Estado - Atualizado às 14h06

27 Fevereiro 2014 | 12h 06

Ministro destaca o crescimento das exportações no 4º trimestre, bem como o desempenho dos setores de serviços e comércio

BRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quinta-feira o desempenho da economia no quarto trimestre de 2013, que registrou expansão de 0,7% - acima das expectativas do mercado e da assessoria econômica do ministério. Ele destacou que o resultado anualizado representa um crescimento de 2,8%.

O ministro disse ainda que espera um crescimento sustentável em 2014, "que pode ser um pouco maior do que o de 2013". A projeção oficial do governo é de uma expansão de 2,5% neste ano. Já o mercado projeta alta de 1,7%, segundo a pesquisa Focus. Para Mantega, o resultado da economia em 2013, com alta de 2,3%, confirma que a projeção do governo de alta do PIB de 2,5% em 2014 é consistente.

Mantega destacou que a alta do PIB em 2013 foi de qualidade porque foi puxada pelos investimentos e isso mostra que a indústria e a agricultura adquiriram máquinas e equipamentos e se tornaram mais produtivos. "Isso vai ter repercussão em 2014", afirmou. O ministro também destacou o estímulo ao investimento trazido pelas concessões. Ele lembrou que, em 2013, foram feitas várias licitações cujos investimentos serão realizados em 2014.

Mantega avaliou que a programação orçamentária e a meta fiscal de 2014 fortalecem os fundamentos da economia porque mantêm os investimentos em crescimento e limitam os gastos com custeio. Segundo o ministro, estas condições aumentam a confiança e dão condições para que a inflação fique sob controle, além de permitirem um crescimento maior em 2014.

O ministro afirmou que as análises sobre a economia no quarto trimestre eram todas pessimistas. "Certamente as projeções serão mais positivas em relação aquelas que estavam ocorrendo", previu. Na sua avaliação, haverá em 2014 condições mais favoráveis para a economia brasileira. Isso porque, segundo ele, a economia mundial está melhorando lentamente. "Teremos um cenário internacional cada vez melhor em 2014. Os mercados vão melhorar e a nossa indústria que teve problemas de crescimento em 2013 poderá crescer mais aumentando as exportações. Agora com um câmbio melhor", acrescentou.

Ele previu a estabilização das turbulências em 2014. Com mais estabilidade cambial, disse ele, haverá mais investimento e ingresso de capitais. "Os empresários brasileiros poderão também tomar crédito lá fora, o que contribuirá para um cenário melhor", disse.

BNDES. Mantega justificou o ritmo mais lento dos investimentos no segundo semestre do ano passado em relação aos primeiros seis meses do ano a uma "menor capacidade do BNDES de atender a demanda". "O dinheiro do BNDES estava acabando, no fim do ano. Ainda que ele tenha desembolsado muito no ano passado, a capacidade dele ficou aquém da demanda por recursos no fim do ano. Essa demanda naturalmente vai se mover para o início deste ano de 2014, com o BNDES apresentando um novo orçamento", afirmou Mantega, que foi presidente do banco de fomento entre 2004 e 2006, antes de assumir o Ministério da Fazenda.

Crédito. De acordo com Mantega, com maior confiança do consumidor e também do investidor, pode haver uma liberação maior de crédito no País. Ele observou que a inadimplência caiu recentemente no Brasil e que "isso habilita o consumidor a obter mais crédito".

A taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 4,8% em janeiro deste ano, nível superior ao porcentual de dezembro de 2013, que foi de 4,7%. Para pessoa física, no entanto, houve recuo de 6,7% para 6,6% na comparação mensal. Para as empresas, passou de 3,1% para 3,2%. Já a inadimplência do crédito direcionado ficou estável em 0,9% em janeiro.

Exportações. Para o ministro, um dado positivo foi que as exportações cresceram mais que as importações no quarto trimestre de 2013 e contribuíram para crescimento do PIB. Ele reconheceu que este fato só ocorreu no final do ano, mas avaliou que pode sinalizar uma mudança para 2014.

Mantega destacou também que a alta do último trimestre do ano foi puxada pelos setores de serviço e de comércio, com estabilidade na agricultura. "De fato neste período do ano a agricultura cresce pouco", disse.