Marvin Joseph/The Washington Post
Marvin Joseph/The Washington Post

Marcas boicotam apresentadora que zombou de estudante

Laura Ingraham retratou-se após sete empresas decidirem não mais anunciar em seu programa

The Washington Post, O Estado de S.Paulo

02 Abril 2018 | 05h00

Sob pressão, uma apresentadora do canal de TV americano Fox News teve de pedir desculpas por ridicularizar um sobrevivente do massacre numa escola de Parkland, na Flórida. Laura Ingraham retratou-se após sete empresas decidirem não mais anunciar em seu programa.

A polêmica começou na quarta, quando Laura compartilhou artigo sobre o fato de o estudante David Hogg, de 17 anos, que sobreviveu ao massacre, ter sido rejeitado por faculdades. Ela zombou de Hogg no Twitter por “ficar se lamuriando” por isso.

Em resposta, Hogg, que se tornou proeminente defensor do controle de armas, entrou em contato com anunciantes de Laura pedindo que boicotassem seu programa. TripAdvisor, Wayfair, Hulu, Nutrish, Johnson & Johnson, Nestlé e Stitch Fix responderam, dizendo que retirariam anúncios. Uma oitava empresa, a Expedia, disse que já deixara de anunciar, mas não informou quando.

Laura então desculpou-se. “No espírito da Semana Santa, peço desculpas por qualquer perturbação que meu tuíte tenha causado a ele ou a qualquer uma das bravas vítimas de Parkland”, disse, convidando Hogg a participar de seu programa.

Para a TripAdvisor, os comentários de Laura foram longe demais. “Em nossa opinião, essas declarações tendo como alvo um estudante secundário ultrapassam a linha da decência.”

A Nutrish, fabricante de alimentos para pets, informou que os comentários não condizem com o modo como “pessoas devam ser tratadas”.

A Wayfair, de comércio eletrônico, disse que “a decisão de um adulto de criticar um estudante que perdeu colegas de classe de maneira atroz não condiz com nossos valores”.

A Nestlé “não tem planos de anunciar no programa no futuro”. A Stitch Fix, de vestuário, Hulu, de vídeos na internet, e a Johnson & Johnson disseram que já retiraram os anúncios. 

Persuasão. Consumidores estão usando cada vez mais a mídia social para cobrar de anunciantes que respondam a controvérsias, particularmente as que envolvem apresentadores da Fox News. 

No ano passado, mais de 50 marcas retiraram anúncios do The O’Reilly Factor após o The New York Times noticiar acordos que o apresentador Bill O’Reilly fizera com mulheres que o acusaram de assédio sexual. O’Reilly acabou demitido.

Hogg disse que ficou satisfeito por algumas empresas terem retirado seus anúncios do programa de Laura Ingraham, mas falou que “isso foi só o começo”. Se todos os anunciantes saírem, disse ele, “estaremos mostrando que quem continuar a ridicularizar estudantes que sobreviveram a massacres sofrerá consequências”.

Hogg disse que pretende estudar jornalismo ou ciências políticas. Confirmou ter sido rejeitado por quatro faculdades e aceito por outras três, mas disse que não se decidiu por nenhuma delas. /TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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