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Maré de incertezas

Não há resposta segura se a pergunta for quando e em que condições o Brasil sairá desta crise econômica. Por enquanto, o governo Dilma não consegue mais do que adotar decisões cosméticas

Celso Ming

O processo de impeachment está rolando na Câmara dos Deputados e a percepção dos analistas a respeito de seu impacto sobre a atividade econômica é ambivalente.

Para alguns, a solução política que poderia advir daí tenderia a criar condições para a superação da crise econômica. Para outros, o processo é tão traumático e traz tantas novas incertezas que tende a aprofundar os tempos de dureza, sem garantir a normalização da atividade política. 

Dilma. O que será do amanhã?
Dilma. O que será do amanhã?

O lado positivo vem sendo explicitado pelo comportamento do mercado financeiro, que puxa a alta da Bolsa e derruba o dólar sempre que fica mais provável o afastamento da presidente Dilma. Indica com isso que nada melhor para o equacionamento da crise econômica do que a recuperação da confiança que adviria da substituição do governo Dilma.

No entanto, como não há clareza para o desfecho da crise política e como no dia seguinte da eventual saída da presidente Dilma as tensões poderiam se multiplicar, sobra uma apreensão difusa sobre o futuro imediato.

Por enquanto, a Comissão do Impeachment se limita a analisar apenas os efeitos do crime de responsabilidade da presidente da República cometido por meio das pedaladas fiscais e da má administração das contas públicas. Nesse caso, se o Congresso aprovasse o impeachment, a principal consequência política seria a condução do vice-presidente Michel Temer à chefia do governo, supostamente com apoio da maior parte da atual oposição.

O problema é que esse tipo de solução não resolve tudo. Está em curso o processo no Tribunal Superior Eleitoral que examina a existência de irregularidades no financiamento de campanha nas últimas eleições. No caso de impugnação da chapa vencedora, também o vice-presidente, Michel Temer, teria de ser afastado e em três meses o País teria nova eleição.

Afora isso, há outras fontes de incerteza que poderiam produzir novos fatos políticos relevantes, como a evolução das investigações e das denúncias premiadas no âmbito da Operação Lava Jato. Seriam lances de forte repercussão que também poderiam derrubar certo número de peças importantes do tabuleiro.

Ou seja, neste momento não há nenhuma condição de se saber quem governará o Brasil dentro de mais alguns meses. Nem de se saber que política econômica passará a vigorar e com que apoio.

Como foi pontuado na Coluna dessa segunda-feira, não está descartada a hipótese de que a presidente Dilma continue à frente do governo até o fim de 2018. No entanto, se isso acontecer, nada garantiria a recuperação da confiança, a normalização da política econômica e a recuperação da atividade.

Não há resposta segura se a pergunta for quando e em que condições o Brasil sairá desta crise econômica. Por enquanto, o governo Dilma não consegue mais do que adotar decisões cosméticas sem pegada para virar o jogo contra, como as que foram adotadas para alterar certas condições da dívida dos Estados. 

CONFIRA:

Caged
Caged

No gráfico, o saldo de empregos formais desde janeiro de 2015.

Decepção

O comportamento do mercado formal de trabalho segue fortemente decepcionante. Em fevereiro o número de vagas fechadas no Brasil foi substancialmente maior do que o esperado. 

Piora

É mais um indicador que reflete a piora da atividade econômica, agora agravada pelo acirramento da crise política. É improvável a melhora do emprego antes que se resolva o atual impasse político.

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