André Dusek/Estadão
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Marun reage a governadores e nega que tenha feito chantagem

Ministro afirma que carta divulgada esta semana é uma tentativa de buscar resultados eleitorais

Carla Araújo, O Estado de S. Paulo

29 Dezembro 2017 | 03h00

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, divulgou nota numa espécie de “tréplica” aos governadores, que reagiram à sua recente declaração de que o governo pressiona gestores estaduais e municipais a trabalharem a favor da aprovação da reforma da Previdência, em troca da liberação de recursos em financiamentos de bancos públicos, como a Caixa. 

“A reação daqueles que querem continuar omitindo a participação do governo federal nas ações resultantes de financiamentos obtidos junto aos bancos públicos só se justifica pela intenção de buscar resultados eleitorais exclusivamente para si”, escreveu o ministro. “Estes defendem a equivocada tese de que quem recebe financiamentos pratica ações de governo e que quem os concede, não".

Sete dos nove governadores do Nordeste enviaram anteontem carta aberta ao presidente Michel Temer protestando contra a declaração do ministro. No documento, os governadores prometem acionar política e judicialmente os agentes públicos envolvidos, caso a “ameaça” de Marun se confirme.

Marun diz que assistiu a entrevista que concedeu no início da semana e que sua fala não teria sido bem interpretada. “Assisti a citada entrevista e desafio qualquer um a destacar o trecho em que afirmo que os financiamentos estão condicionados ao apoio à reforma da Previdência”, diz. “Afirmei, como reafirmo, que espero que todos os agentes públicos tenham a responsabilidade de contribuir neste momento histórico da vida da Nação. E afirmei, como reafirmo, que vou dialogar de forma especial com aqueles que estão sendo beneficiados por ações do governo, pleiteando o seu envolvimento no esforço que estamos fazendo para realizar as reformas que o Brasil necessita”, completou.

Em entrevista na terça-feira, Marun admitiu que o Palácio do Planalto pressiona os governadores a trabalharem a favor da aprovação da reforma da Previdência em troca da liberação de recursos em financiamentos s públicos. 

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