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Medo de desemprego custa caro à economia

Trabalhadores com medo de perder o emprego tomam decisões que podem reduzir o ritmo da atividade econômica. Consomem menos, seja à vista ou a prazo, cortam despesas que poderiam favorecer o futuro, como as educacionais, e suprimem gastos com lazer, em tese favoráveis à saúde e até ao desempenho no trabalho. Daí a importância da pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicando que o temor de perder o emprego cresceu 36,8% entre dezembro de 2014 e dezembro de 2015.

Não se trata de temor irracional, pois as estatísticas de emprego são desfavoráveis. O levantamento mais completo – a Pnad Contínua, do IBGE –, que abrange quase todo o País, sugere que o indicador de desemprego passará em 2016 à casa de dois dígitos, lembrando que cada ponto porcentual a mais corresponde a aproximadamente 1 milhão de vagas fechadas.

Os homens têm mais medo de perder o emprego do que as mulheres e o temor cresce entre os que têm idade superior a 55 anos. Medido pelo grau de instrução, aqueles que têm até a quarta série do ensino fundamental são os que têm menos medo do desemprego – que cresce nas faixas de instrução média e superior. Os que percebem renda mensal superior a cinco salários mínimos também são os mais temerosos com a perda de atividade. E no interior o medo é maior do que nas capitais ou na periferia das grandes cidades.

Simultaneamente à pesquisa de emprego é feita outra, para mostrar o Índice de Satisfação com a Vida, que recuou 8,1% entre 2014 e 2015. Os homens estão menos satisfeitos do que as mulheres. Também os maiores de 55 anos são os mais insatisfeitos, enquanto os menos insatisfeitos têm idade entre 16 e 34 anos. O maior grau de insatisfação é registrado entre os menos instruídos.

Entre as regiões pesquisadas, a Nordeste ocupa um bom lugar: há mais pessoas satisfeitas. O grau de satisfação também é maior nas capitais e menor na periferia das grandes cidades.

Sempre lembrado como um povo feliz, o brasileiro tornou-se mais preocupado com o emprego e menos satisfeito com a vida. Para isso devem ter contribuído o aumento do endividamento e o número crescente de famílias com contas em atraso (de 10,9% em 2014 para 17% em 2015, segundo a FecomercioSP). Emprego e satisfação com a vida seguem juntos. Sem emprego, o humor tende a piorar – e com ele o comportamento da economia.

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