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Meirelles defende manter reservas e fazer reformas

Para ex-presidente do Banco Central, sem ajuste fiscal e reformas, crescimento médio do País ficará em 1% nos próximos anos

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Mariana Durão,
O Estado de S.Paulo

17 Março 2016 | 21h27

O ex-presidente do Banco Central (BC) Henrique Meirelles, mais uma vez cercado por rumores de uma eventual volta ao governo, defendeu nesta quinta-feira, 17, no Rio, a preservação das reservas internacionais, o ajuste fiscal e a realização de reformas, sem as quais considera que o Brasil crescerá muito pouco na próxima década. Segundo ele, o País pode encerrar 2016 com uma queda de até 4% no Produto Interno Bruto (PIB), atingindo a maior recessão da história, após o resultado negativo no ano passado, de -3,8%.

Para Meirelles, o alto nível de reservas internacionais acumulado é muito importante e deve ser mantido, pois dá tempo ao governo para realizar ajustes como o do setor externo. “Reservas são muito importantes e é muito positivo que o Brasil tenha acumulado essas reservas, que são um colchão de liquidez”, disse.

A possibilidade de o governo queimar parte dos US$ 372,4 bilhões em reservas para abater a dívida pública do País ou impulsionar a atividade econômica é defendida por integrantes do PT. A presidente Dilma Rousseff, entretanto, garantiu esta semana que elas não serão usadas a não ser para a proteção de flutuações internacionais.

As especulações em torno de um convite a Meirelles para voltar ao governo, no Banco Central ou até mesmo na Fazenda, ganharam corpo com a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil. Meirelles foi o presidente do BC no governo Lula.

A tônica de 2016, diz Meirelles, será inflação persistentemente alta e retração econômica. O mercado prevê no boletim Focus uma queda de 3,5% no PIB, o que na visão dele, pode se aprofundar para até 4%. “Pode chegar a ser a maior recessão da história do Brasil”, afirmou. “O desafio maior é porque existe de fato muita incerteza”, completou, durante um evento da Associação de Supermercados do Estado do Rio.

Ao traçar cenários para a economia brasileira na próxima década, Meirelles afirmou que, sem a solução da questão fiscal, o crescimento do País será baixo, de até 1% ao ano em média. Em outro cenário, com ajuste fiscal, mas sem reformas, esse patamar de crescimento chegaria a 2% ao ano.

Para Meirelles, a única chance de elevar o potencial de crescimento do PIB a 4% ao ano é realizar reformas como a tributária e a previdenciária, “no sentido de gerar mais eficiência trabalhista”, o que é combatido por parte do PT. Ele defendeu ajustes em despesas vinculadas e previdenciárias para equilibrar a curva da dívida pública e evitar seu crescimento.

O ex-presidente do BC s disse que o País vive um quadro de inflação elevada e resiliente, mas que não há problema estrutural que impeça a inflação de convergir para a meta. Ele considera a projeção do mercado para a inflação de 2016 (alta de 7,5%) muito forte, dada a recessão e o desemprego.

Em sua análise de longo prazo, ele destacou a escala de consumo, a inclusão da classe média e a estabilidade política medida pela força das instituições como vantagens do Brasil.

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