Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Meirelles diz que aumento de imposto é 'suficiente' no momento

Em visita à Argentina, ministro minimizou reajuste e disse que alta do combustível evita inflação maior

Carla Araújo, enviada especial, O Estado de S.Paulo

21 Julho 2017 | 00h35

MENDOZA - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou há pouco que, “no momento”, a elevação do PIS/Cofins anunciado pelo governo nesta quinta-feira é suficiente e que “em última análise” todas as medidas econômicas são para beneficiar o consumidor. “Certamente (o aumento pesa no bolso do consumidor), mas, por outro lado, pesa no bolso do cidadão quando o juro é mais caro, quando em função do déficit publico a inflação é maior”, disse. “Tudo que nós fazemos, em última analise é para beneficiar o bolso do cidadão.” 

Meirelles destacou que além da alta de tributo o governo anunciou um corte adicional de gastos. “Não é so aumentar impostos, os gastos públicos estavam muito comprimidos e se cortou ainda mais”. Ao ser questionado se haverá novos aumentos de imposto respondeu:  “No momento é suficiente.”  Segundo o ministro, o momento para aumentar o tributo era o ideal porque “a inflação está reagindo muito bem, caindo bastante” e a medida não deve prejudicar a retomada do crescimento. “A nossa expectativa é que isso vai consolidar a trajetória do crescimento, exatamente porque vai manter o nível de confiança, manter o nível de confiança no ajuste fiscal, nível de confiança na economia”, afirmou. 

Meirelles reiterou ainda que as mudanças no texto da Medida Provisória 783, que instituiu no Novo Refis (programa de parcelamento de débitos tributários) e previa arrecadação de R$ 13,3 bilhões em 2017, geraram frustração e incertezas que contribuíram para a decisão de elevar o PIS/Cofins. “Uma razão importante é devido as mudanças muitos fortes no projeto do Refis diminuindo bastante a arrecadação prevista e gerando muita incerteza sobre qual será de fato. Muitas empresas adiaram ou não se inscreveram no programa de adesão até agora”, afirmou. 

Segundo ele, com essa incerteza criou-se a necessidade de receitas adicionais. “Além do mais existe a questão que nós estamos de fato ainda enfrentando os efeitos da recessão de 2015, 2016, mas os efeitos fiscais estão ocorrendo este ano”, declarou. 

Meirelles destacou que a primeira reação dos agentes econômicos a medida foi positiva e mostra que o importante “é manter o equilíbrio fiscal e em consequência manter o emprego”. O ministro destacou ainda que o país registrou três meses seguidos de uma criação liquida positiva de emprego depois de três anos e que acredita que o desemprego vai cair no segundo semestre. “Para isso é muito importante manter o ajuste”, frisou.

Questionado de o emprego não pode ter um impacto do efeito da sazonalidade de postos criados pelo agronegócio, que tendem a diminuir nos próximos meses, Meirelles afirmou que  mesmo depois da dessazonalização “o crescimento do emprego ainda é positivo”. “Esta se disseminando o crescimento (do emprego) em outros setores da economia.”

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