Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Meirelles diz que há um 'mal entendido' sobre os projetos econômicos anunciados pelo governo

O ministro afirma que o pacote de 15 medidas foi criado pela equipe econômica do Ministério da Fazenda e de outras pastas, e ressaltou que o Congresso é soberano na decisão de pautar as votações

Altamiro Silva Júnior e Francisco Carlos de Assis, Broadcast

21 Fevereiro 2018 | 11h34

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira, 21, que há "um mal entendido" sobre o que é a lista das 15 medidas anunciadas anteontem pelo governo após o fracasso da reforma da Previdência. Em entrevista à rádio Bandeirantes, ele foi perguntado sobre as críticas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que chamou o pacote de medidas de "café frio e velho" e Meirelles ressaltou que as 15 medidas não são "uma relação de novos projetos".

"A lista é algo que analisa e prioriza os diversos projetos de lei que já estão em tramitação", afirmou na entrevista, ressaltando que a intervenção federal no Rio de Janeiro impossibilita a tramitação de uma emenda constitucional, o que inviabiliza a reforma da Previdência. "É assunto prioritário, não podia ser adiada. Foi feita no momento certo."

O ministro disse que as medidas foram decididas pela equipe econômica do Ministério da Fazenda e de outras pastas. "Não é uma lista de novos projetos e coisas que nunca se ouviu falar", disse ele. Meirelles ressaltou que a simplificação do PIS/Cofins, já é uma projeto que está em andamento. "Agora estamos formatando e será enviado ao Congresso. É uma questão de priorização", afirmou.

O ministro voltou a ressaltar que o Congresso é soberano e decide a priorização e votação de suas pautas. "Evidentemente, o Congresso é soberano. Vai julgar e priorizar aquilo o que entende como adequado", disse ele.

Intervenção no Rio.  A intervenção no Rio, afirmou o ministro, era "absolutamente necessária" e relatou que, "uma das evidências disso é que crianças, senhoras e jovens vinham sendo alvos de balas perdidas". "O País não pode conviver com uma situação desse tipo", disse, ressaltando que houve escalada da violência no carnaval e, por isso, o momento da decisão sobre a intervenção foi adequada.  

Aumento de impostos. Meirelles também afirmou que não há previsão de aumento de impostos este ano, e que o Orçamento do País é "sustentável e equilibrado". Durante a entrevista, ele declarou que a reforma da Previdência "não está sepultada" e será votada tão logo a intervenção federal no Rio de Janeiro seja encerrada.

Meirelles ressaltou que o déficit da Previdência vai crescendo a cada ano e daqui a dez anos vai ocupar 80% do orçamento do governo, sobrando pouco para outros gastos, como educação e saúde. "Não é uma questão de, se será feita, mas quando será feita", disse o ministro ao falar sobre a perspectiva para a reforma previdenciária. Ele ressaltou que caso nada seja feito, o País pode ficar como a Grécia. "Se não houver reforma, os brasileiros não vão receber suas aposentadorias."

A reforma da Previdência, ressaltou Meirelles, tem efeito a médio prazo e vai garantir que não se eleve impostos no futuro. "Minha ideia é fazer a reforma para não ter de aumentar impostos", disse ele.

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