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Meirelles: é na crise que surgem grandes oportunidades

ADRIANA FERNANDES, ENVIADA ESPECIAL - Agencia Estado

27 Novembro 2008 | 11h 06

Crise e oportunidade. Na língua chinesa a palavra crise, é a combinação de dois símbolos. Um significando "perigo" e o outro "oportunidade". Foi com essa referência ao ideograma chinês que o presidente do Banco do Central, Henrique Meirelles, avaliou que é na crise que a economia se ajusta e surgem as grandes oportunidades, ao contrário do que acontece nos momentos de "euforia". "Os chineses são sábios, sabemos disso, porque esse é o momento de construir o futuro. É o momento em que a economia sai da euforia e se ajusta", afirmou ontem, à noite, na abertura do 14º Congresso Nacional de Jovens Lideranças Empresariais. Para um auditório de empresários no Centro de Convenções, Meirelles transmitiu um recado de confiança no futuro e no crescimento da economia. Disse que 2009 será um ano difícil para o Brasil por conta dos efeitos da crise financeira mundial, mas previu que a economia vai continuar crescendo. "Em momentos de crise muitos empresários, consumidores e banqueiros começam a desfazer planos. Eu gostaria de lembrar o ideograma chinês, que tem dois significados: crise e oportunidade", disse. Segundo Meirelles, esse é um momento ideal para se construir um negócio ou para se lançar as bases de uma expansão com "pé no chão". "As decisões tomadas num momento de euforia tendem a ser decisões muitas vezes equivocadas. Esse é o momento em que as empresas cortam custo, racionalizam, investem, ganham produtividade. Exatamente esse é o momento adequado", aconselhou o presidente do BC. Ele ressaltou que as grandes organizações e os grandes vencedores "plantam as suas raízes e começam a sua ascensão" em momentos de desaceleração econômica. Para Meirelles, a visão de que o risco de crédito no balanço dos bancos aumentou na crise é equivocada. "Esses riscos aumentaram no período de crescimento acelerado, de euforia, quando os bancos fizeram empréstimos arriscados, sem análise adequada, com a precificação equivocada", afirmou. Ele acrescentou que o prejuízo apenas se materializou no momento de crise, mas já estava no balanço, contabilizado. "Empréstimos problemáticos foram concedidos, ativos tóxicos foram comprados no momento de euforia". Aos empresários presentes no encontro disse: "Vocês estão engajados num processo de trabalho e organização empresarial jovem, porque é o momento em que eu acho que o Brasil está construindo as bases para sair muito mais forte". Ele ressaltou que já é uma grande "novidade" o Brasil crescer mais do que outros países nesse momento de crise. Segundo Meirelles, a previsão feita pelo Banco Mundial de crescimento do Brasil de 3% em 2009 é conservadora. "Nós achamos que essa previsão está conservadora, significa que o Brasil deve crescer um "pouco mais" do que isso", afirmou. Mais descontraído do que o habitual, Meirelles lembrou que, no passado, se dizia que "quando os Estados Unidos pegavam um resfriado, nós pegávamos uma gripe forte, quando não pegávamos pneumonia. E de vez em quando ameaçava tuberculose. Agora, a situação está invertida, os Estados Unidos estão com uma epidemia de gripe grave e nós estamos apenas gripado e quem sabe apenas com um resfriado". O presidente do BC ressaltou ainda que a crise não é boa para ninguém. "Mas é uma oportunidade para que as pessoas, as empresas, se planejam numa situação bastante realista", completou.