Gabriela Bilo/Estadão
Gabriela Bilo/Estadão

Meirelles volta atrás e mantém previsão do PIB deste ano em 0,5%

Na reunião do G-20 o Ministro da Fazenda afirmou que as expectativas para a inflação são em torno de 3% e garantiu que a economia brasileira está em 'trajetória positiva'

Célia Froufe, enviada especial, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2017 | 12h55

HAMBURGO -  O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse nesta quinta-feira, 6, que mantém a previsão para o crescimento da economia este ano em 0,5%. Ele conversou com a imprensa ao chegar a um hotel em Hamburgo, na Alemanha, onde vai participar da reunião do G-20, grupo das 20 maiores economias do mundo.

No último dia 28, Meirelles afirmou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país deverá crescer em 2017 menos que o previsto pelo governo – a previsão oficial é de elevação de 0,5%. Ele classificou a alteração da previsão como “moderada” e disse que o governo iria divulgar oficialmente, nos próximos dias, a nova estimativa.

Segundo Meirelles, a previsão para o crescimento do PIB no último trimestre do ano, comparado a igual período de 2016, é 2%. Questionado se houve redução nessa estimativa, o ministro disse que ainda está “dentro de uma faixa entre 2% e 2,7%”.

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O ministro ainda avaliou que a economia brasileira está em uma "trajetória positiva e virtuosa, com inflação caindo, juro caindo e economia crescendo". Ele ainda afirmou que a inflação "está bem" e as expectativas estão convergindo para próximo de 3%. 

De acordo com o Relatório de Mercado Focus, da semana passada, a mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro para o IPCA estava em 3,46%, vindo de uma taxa de 3,48% no levantamento anterior - um mês antes estava em 3,90%.  Já a mediana das estimativas para o IPCA de 2018 passou de 4,30% para 4,25% na última semana ante 4,40% de um mês atrás. Na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu as metas para 2019 (4,25%) e 2020 (4,0%), estendendo o horizonte por mais um ano do que ocorria até então - nos dois casos, a banda de flutuação é de 1,5 ponto porcentual.  

Meirelles comparou as estimativas do mercado financeiro com as do Banco Central, divulgadas pela última vez por meio do Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado em 22 de junho. No documento, a autoridade monetária reduziu suas previsões para a inflação deste e do próximo ano no cenário de mercado. A estimativa agora é de 2,8% para 2017 ante a previsão anterior, de 4,00%, que constava na ata mais recente da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Para 2018, o cenário do BC aponta para uma taxa de 4,5%, e não mais de 4,6% como na ata. "O Banco Central tem uma estimativa um pouquinho superior ao mercado. O mercado está em 3,4 e pouco", considerou. 

Crescimento. O ministro salientouque o crescimento sustentável é um dos assuntos das discussões atuais do Grupo das 20 maiores economias do planeta, o G-20. "A ideia é ter a certeza de que recuperação será contínua depois da última crise", disse para a imprensa estrangeira, assim que chegou a Hamburgo para participar da reunião de líderes na Alemanha. 

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"Crescimento sustentável é o assunto, obviamente, das discussões atuais e a ideia é ter recuperação depois da última crise e ter certeza de que essa trajetória de crescimento continuará", afirmou. Nos anos de 2008 e 2009, a maior parte dos países sofreu com a crise financeira internacional, que produz reflexos até hoje em algumas economias. 

 

É preciso verificar, segundo Meirelles, se há realmente um crescimento sustentável, e não apenas no setor financeiro. Ele enfatizou que é preciso levar em consideração também para que haja uma expansão coordenada nas próximas décadas de questões relativas ao clima e ao ambiente. O ministro foi questionado sobre a segurança financeira e respondeu que esta é uma agenda "muito importante" para o G-20. "Temos que esperar pela discussão, mas passos vêm sendo dados desde o ano passado e a nossa expectativa é a de que vão continuar." 

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